25 de setembro, 2007 - 19h44 GMT (16h44 Brasília)
O governo de Mianmar decretou nesta terça-feira um toque de recolher nas duas principais cidades do país, Yangun e Mandalay, que têm sido palco de protestos contra o governo militar nos últimos dias.
Dezenas de milhares de monges têm desafiado a orientação do governo para não realizar as manifestações, as maiores em quase 20 anos.
Alguns participaram das passeatas em Yangun gritando "queremos diálogo", enquanto outros pediram democracia no país.
Durante o dia, soldados armados foram enviados a pontos estratégicos de Yangun, a antiga capital.
Segundo a agência Reuters, pelo menos oito caminhões com policiais da tropa de choque e 11 com soldados foram deslocados para o centro de Yangun.
Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou, em um discurso na ONU, a intenção de ampliar as sanções contra o país.
Por sua vez, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que as autoridades do país mantenham a calma em relação aos protestos.
Estudantes
Os militares cruzaram a cidade para anunciar à população o toque de recolher em alto-falantes colocados em seus veículos.
Além dos monges, estudantes também participaram abertamente dos protestos desta terça-feira, em vez de simplesmente formar uma corrente, como na segunda-feira.
A junta militar que governa o país, e que em 1988 reprimiu violentamente os protestos causando a morte de cerca de 3 mil pessoas, quebrou o silêncio sobre as manifestações iniciadas há mais de uma semana e declarou que está pronta para "adotar ações" contra os monges.
Na segunda-feira, o ministro de Religião de Mianmar, general Thura Myint Maung, alertou os manifestantes para que "não quebrem as regras e as leis budistas".
Maung disse que os protestos são promovidos por "elementos destrutivos" que se opõem à paz no país.
A emissora de televisão estatal disse que as manifestações são fomentadas por comunistas e grupos de mídia e estudantes exilados.
Os monges budistas são venerados em Mianmar e, segundo correspondentes, qualquer medida da junta militar para sufocar as manifestações poderia provocar mais protestos.
Na segunda-feira, houve protestos em 25 cidades de Mianmar.