25 de setembro, 2007 - 02h05 GMT (23h05 Brasília)
Bruno Garcez
Enviado especial a Nova York
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, após ter se encontrado em Nova York com o líder americano, George W. Bush, que um dos fatores capazes de destravar a Rodada de Doha é a flexibilidade que o governo americano tem demonstrado.
''Um desses fatores é a disposição que um país importante, como os Estados Unidos, vem demonstrando. E o presidente Bush vem demonstrando disposição em flexibilizar'', afirmou Lula.
A afirmação de Lula foi uma referência à disposição americana em atender a uma sugestão da Organização Mundial do Comércio (OMC) de reduzir seus subsídios agrícolas para uma faixa de US$ 13 bilhões a US$ 16 bilhões.
''Eu garanti ao presidente que os Estados Unidos mostrarão flexibilidade, particularmente no que diz respeito a produtos agrícolas, de modo a se chegar a um resultado'', afirmou Bush, após o encontro.
Contrapartida
Os dois líderes, que discursarão nesta terça-feira na Assembléia Geral da ONU, se reuniram por quase uma hora, no final da tarde desta segunda, no hotel nova-iorquino Waldorf Astoria. Além de Doha, eles trataram ainda de aquecimento global e de biocombustíveis.
Ainda em relação a Doha, Lula disse que o ''Brasil quer fazer o que for necessário para chegar a um acordo''.
Em contrapartida a uma possível redução dos subsídios agrícolas, os americanos esperam do Brasil uma disposição em reduzir tarifas cobradas sobre produtos industriais - outro item sugerido pela OMC.
No entender dos americanos, essa ação por parte do Brasil poderia influenciar outras nações em desenvolvimento a agir de modo semelhante.
Amorim
Mesmo demonstrando otimismo, o presidente disse ser necessário cooptar diversos países a fim de garantir o êxito da rodada.
''Se nós conseguirmos convencer China, Índia, África do Sul, México, União Européia e Japão, acho que poderemos chegar a um acordo em relação a Doha''.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também compartilhou do tom otimista dos dois líderes. Segundo o chanceler, a disposição dos Estados Unidos em fazer concessões ''ficou clara para nós'', porque ''ouvimos do próprio presidente''.
Amorim disse que a representante comercial americana, Susan Schwab, que participou do encontro bilateral, ''fez questão de frisar'' que os americanos estariam dispostos a reduzir algo na faixa de US$ 13 bilhões a 16,5 bilhões.
Mas, acrescentou, ''eu acho que está mais perto dos US$ 13 bilhões, mas essa é apenas a minha opinião''.
Aquecimento global
Em relação ao outro tema de destaque do encontro bilateral, o aquecimento global, Amorim afirmou que ''os Estados Unidos estão se engajando na discussão'' e que a o encontro sobre o tema que o Departamento de Estado americano promoverá nesta quinta e sexta-feira, em Washington, aponta nesse sentido.
Após a reunião com Bush, Lula comentou que ''o clima é uma questão que envolve todo ser humano''.
''Todos nós temos responsabilidade. Acho que não se trata de procurar quem é culpado, eu ou vocês. Se nós não cuidarmos do planeta, todos vamos perder'', concluiu o presidente.