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22 de setembro, 2007 - 18h06 GMT (15h06 Brasília)

Fujimori volta ao Peru para enfrentar Justiça

O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori chegou neste sábado a Lima, capital do país que governou durante dez anos e que deixou em novembro de 2000, em meio a um escândalo de corrupção.

O avião trazendo o ex-presidente aterrizou por volta das 16h40, hora local (18h40, hora de Brasília) em uma base aérea na capital peruana. De lá, ele foi levado para um centro de operações da polícia onde deve permanecer detido por pelo menos três semanas.

Segundo o jornal peruano El Comércio, dezenas de simpatizantes do ex-presidente foram às ruas da cidade de Callao, na grande Lima, onde fica o aeroporto onde se esperava que Fujimori desembarcasse.

O jornal diz que os manifestantes fecharam vias e entrando em confronto com policiais. Também houve manifestações de apoio ao ex-presidente no centro da polícia onde o ex-presidente ficará preso.

No Peru, Fujimori será julgado por corrupção e também por ligação com crimes cometidos por esquadrões da morte, acusados de matar civis.

Ele responderá a duas acusações de violação dos direitos humanos e cinco de corrupção – todas relativas ao período em que foi presidente (1990-2000) – e poderá ser condenado a até 30 anos de reclusão.

Processos

Fujimori permaneceu detido no Chile desde 2005 e, na sexta-feira, cinco juízes da Suprema Corte chilena determinaram sua extradição, o que ocorreu neste sábado.

Leia também: Entenda o processo de extradição de Alberto Fujimori

Antes, Fujimori morou por cinco anos no Japão, aproveitando a vantagem de ter dupla cidadania peruana e japonesa, e chegou a concorrer a eleições no país asiático.

As audiências dos processos contra Fujimori devem começar na semana que vem e podem demorar até quatro meses, segundo a promotora Adelaida Bolívar.

De acordo com a imprensa peruana, a promotoria quer que os processos não demorem mais do que nove meses para evitar que Fujimori apele à prisão domiciliar.

Pela legislação peruana, quando um condenado faz 70 anos (em julho do ano que vem, no caso de Fujimori), ele passa a ter o direito de cumprir pena em casa, e não na cadeia.

”Movimento Fujimori”

Fujimori diz que seus planos saíram como ele previa. "Antes mesmo de vir para o Chile, escrevi o livro Fujimori Volta, em que estabeleço qual é o meu plano", declarou.

Leia: Após extradição, Fujimori diz que quer “reencontrar o povo”

O ex-presidente, que afirma que as acusações contra ele têm motivação política, disse ao jornal chileno El Mercurio que reconhece ter cometido erros em seu governo, mas que está com a consciência tranqüila.

“Eu espero que no Peru eu seja submetido a um processo justo para esclarecer as acusações contra mim”, disse.

Ele também não descartou um possível retorno à política. “Eu ainda tenho apoio da maioria em uma corrente política muito popular.”

“Eu lhe garanto que haverá um herdeiro político se eu não estiver mais disponível. Haverá um movimento Fujimori por muito tempo. Eu garanto que haverá algum Fujimori na próxima eleição presidencial.”

E completou que sua filha Keiko – eleita para o Congresso com muito mais votos que qualquer outro candidato – tem “o que é necessário” para ser presidente do Peru.