20 de setembro, 2007 - 19h03 GMT (16h03 Brasília)
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse nesta quinta-feira durante uma visita à Cisjordânia que espera ver avanços na criação de um Estado palestino durante a próxima conferência para discutir o processo de paz no Oriente Médio, prevista para novembro.
“O presidente dos Estados Unidos não tem a intenção de convidar a comunidade internacional e os palestinos e israelenses para um encontro que não seja sério”, disse Rice em uma coletiva após um encontro com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Ramallah.
“Nós precisamos de um encontro que avance a causa de um Estado palestino. Essa é a única razão de termos um encontro.”
Rice disse que espera que a conferência leve à criação de um documento estabelecendo as bases para negociações sérias sobre a criação do Estado palestino.
Cronograma
Segundo o analista da BBC Roger Hardy, Abbas tem a expectativa de que, na reunião de novembro, Israel concorde com a adoção de um cronograma para que o Estado palestino passe a existir. Até agora, porém, o governo israelense tem resistido à ideia.
Abbas também teme que o fato de participar de uma conferência que não resulte em nada significativo dê munição a seus críticos do grupo militante Hamas, que já estão prevendo que o encontro será um fracasso, explicou Hardy.
Um porta-voz do Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde junho, criticou o encontro entre Abbas e Rice.
“Todas as vezes que Rice veio para esta região foi para aumentar a pressão para que Abbas se encontrasse com (o premiê israelense) Ehud Olmert (…) Ela veio aqui para ouvir Abbas sem nenhuma discussão real sobre a questão palestina”, disse Fawzi Barhoum.
Condoleezza Rice visitou Ramallah um dia depois de Israel ter anunciado que estava passando a considerar a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas desde junho, uma “entidade hostil”.
Durante a coletiva com Rice nesta quinta-feira, Abbas disse que “o anúncio (…) vai ter graves repercussões políticas. Tais medidas vão prejudicar os esforços de nosso governo para trazer segurança e estabilidade a todas as diferentes partes do território palestino.
A decisão israelense poderá levar a cortes no fornecimento de água, combustível e energia de Israel para a Faixa de Gaza.