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19 de setembro, 2007 - 17h06 GMT (14h06 Brasília)

Guilherme Aquino
De Milão

Itália não deve intervir no caso Cacciola

As autoridades da Itália podem deixar o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que tem dupla cidadania, a brasileira e a italiana, entregue à própria sorte.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Itália, Marco Villani, o caso trata de um "cidadão brasileiro que cometeu um crime no Brasil e que foi capturado no Principado de Mônaco".

"Nós não podemos intervir na lógica de dois Estados soberanos", disse Villani à BBC Brasil.

A postura do Ministério da Justiça italiano segue a mesma linha. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, o governo apenas entra em ação quando o cidadão italiano, autor de um crime no exterior, corre o risco de ser condenado à morte.

Neste caso, a diplomacia pode tentar salvar a pele do réu. "Ele poderia fazer um apelo para que a Itália o protegesse", afirmou uma fonte do Ministério da Justiça citando a hipótese de uma pena capital.

Hotel

O ex-banqueiro, condenado em 2005 pela Justiça brasileira pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e gestão fraudulenta, vive na Itália desde 2000, quando fugiu do Brasil.

Cacciola é proprietário de um hotel no centro de Roma, o Forty Seven, localizado bem no centro histórico da capital italiana.

Fabrizio Cacciola, filho do ex-banqueiro, se encarrega de administrar o hotel. Por telefone, ele disse à BBC Brasil que ainda não tinha conseguido falar com o pai.

"Ele estava tentando voltar a levar uma vida normal", disse. "Do Brasil, meu pai não tem nenhuma saudade, não, não daqueles momentos finais. Mas toda a vida dele sempre foi lá."

O filho de Cacciola diz ter esperança de que o pai consiga, mais uma vez, escapar da Justiça brasileira. "Se tudo der certo, ele vai voltar para a Itália, sem passar pelo Brasil", afirmou.

Preparando a defesa

A advogada de Salvatore Cacciola, Alessandra Mocchi, está tentando trazer Salvatore Cacciola, de volta à Itália.

Do seu escritório em Roma, ela prepara a linha de defesa para impedir a extradição do ex-banqueiro.

"Neste momento, ainda estamos elaborando uma estratégia. Estamos estudando a cópia do mandado de prisão notificado pelo juiz de Mônaco. Junto com um escritório de advocacia de Mônaco, estamos avaliando a situação."

"O nosso cliente é italiano, e o governo italiano já foi notificado por meio da embaixada italiana", disse Alessandra, que deve viajar para se encontrar com o seu cliente em uma data ainda a ser definida.

O Ministério das Relações Exteriores italiano informa que há 2.820 italianos nos bancos dos réus ou em prisões em todo o mundo.

No Brasil, existem 13 italianos a espera de uma sentença judicial ou esperando a resposta de pedidos de extradição, e outros 30 já atrás das grades.