17 de setembro, 2007 - 09h15 GMT (06h15 Brasília)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não vai deixar sua política externa para a América Latina se contaminar pelas diferenças ideológicas em relação ao presidente venezuelano Hugo Chávez.
Em uma entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal econômico espanhol Expansión, o presidente afirmou que o país exerce na região um papel de "moderador em favor da estabilidade política e institucional".
"Com a Venezuela, prefiro deixar de lado a orientação ideológica e valorizar o desejo de integração regional", declarou, segundo o diário.
A entrevista é publicada no dia em que Lula cumpre agenda de negócios e compromissos de Estado na capital espanhola, Madri.
O presidente pediu que os empresários espanhóis – que detêm hoje o segundo maior estoque de investimentos no país, atrás apenas dos americanos – direcionem recursos também para as obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), com o qual o governo pretende atrair cerca de meio bilhão de reais para obras de infra-estrutura.
Lula defendeu a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) para dar mais peso à voz dos países emergentes, e descartou que o país queira fazer parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por considerá-la "incompatível" com fóruns como o G-77, que reúne economias emergentes.
O presidente elogiou ainda a importância dos países em desenvolvimento nas negociações para liberalização do comércio mundial promovidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Graças ao G-20 (grupo que representa os emergentes na OMC), as potências agrícolas evitamos que as grandes economias decidissem a liberalização deste setor", afirmou o presidente, segundo o Expansión.