13 de setembro, 2007 - 12h46 GMT (09h46 Brasília)
Do planeta Times Square ao planeta Coney Island são menos de trinta quilômetros de metrô, uma viagem de quase uma hora. Vale a pena mesmo com o parque fechado para o verão. Há outras atrações.
Você vai levar um susto com a granfinagem da nova estação de 240 milhões de dólares do metrô. Só isto justificaria a viagem, mas o maior impacto para quem nunca foi é o tamanho da praia de Coney Island.
Nossas maravilhas de Copacabana, Ipanema e Leblon são miniaturas, tanto na largura como na extensão. Nas praias gringas, faltam o calor, a areia fina, a cor do mar e a paisagem do Rio. De resto são fantásticas.
O belo calçadão de Copacabana é modesto comparado com o de Coney Island, todo construído com madeira de lei brasileira, agora em processo de decadência.
A fama de Coney Island foi enriquecida com as atrações do gigantesco parque de diversões. A primeira montanha russa, a maior roda gigante do mundo, o salto de pára-quedas, os bares e os restaurantes populares. Lá nasceu o cachorro quente, Nathan's, ainda forte, rijo, venenoso, irresistível.
Para várias gerações de novaiorquinos mais pobres, desde o século 19 Coney Island tem sido a maior escapatória, o paraíso brega com emoções genuínas e baratas.
Charles Lindbergh disse que a experiência nos oitocentos metros da montanha russa foram muito mais emocionantes do que seu vôo solo pioneiro que atravessou o Atlântico.
Outras experiências foram únicas, como a explosão de uma falsa bomba atômica no calor da Guerra Fria, em 62, detonada pela força aérea americana. A intenção era dar uma noção dos efeitos do som e da formação da nuvem de cogumelo. O público deu nota 10.
Freqüentadores da praia e do parque (9 milhões este ano) e residentes do bairro estão preocupados com o futuro de Coney Island e esta não é a primeira ameaça. Na década de 30, Robert Moses, o construtor/destruidor mor de Nova York queria simplesmente arrasar o parque.
Na década de 60, logo depois do assassinato de Luther King, dez dias de motins e incêndios reduziram a freqüencia do parque e, na quase falência de Nova York na década de 70, Coney Island esteve mais pra lá do que pra cá.
Agora este mundo do faz-de-conta está ameaçado pelos bilhões de uma imobiliária disposta a transformar Coney Island numa mini Las Vegas, uma promoção do baixo kitsch pro alto kitsch. Condomínios milionários, um hotel de luxo com 500 quartos, restaurantes finos, teatros e cinemas. A velha guarda aposta contra.
Por precaução, algumas atrações foram tombadas pela cidade.
Quem venham concreto, aço e vidros novos, mas pelo menos parte do ferro velho agora vai ser eterno. Vá, antes que acabe este paraíso brega movido a montanha russa e a nostalgia.