10 de setembro, 2007 - 17h41 GMT (14h41 Brasília)
A Polícia de Portugal entregou nesta segunda-feira os documentos relacionados à investigação sobre o desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann à promotoria pública do país, que vai decidir se os pais da menina devem ser indiciados no caso.
A promotoria vai reavaliar todas as informações relacionadas à investigação, que ainda não foi encerrada, e pode decidir também convocar novamente Kate e Gerry McCann para depor.
Madeleine, de quatro anos, desapareceu no dia 3 de maio no Algarve, no sul de Portugal, onde a família tem um apartamento.
No domingo, os pais voltaram para a Grã-Bretanha, dois dias depois de terem sido formalmente declarados suspeitos no caso.
Oito meses
Segundo a correspondente da BBC em Portugal, Alison Roberts, a entrega dos documentos relacionados a uma investigação à promotoria é um procedimento normal em Portugal.
Roberts diz que, até o momento, parece improvável que a investigação demore mais de oito meses para ser concluída.
Esse é o prazo estabelecido pela lei portuguesa para que a polícia realize a investigação sem ter que pedir mais tempo à Justiça.
Para a defesa, o casal McCann está recebendo aconselhamento dos mesmos advogados usados pelo ex-ditador chileno Augusto Pinochet em 1999, quando esteve em prisão domiciliar na Grã-Bretanha e a Espanha pedia sua extradição.
Apesar de suspeitos, os pais de Madeleine, que alegam inocência, não foram presos nem colocados sob vigilância na Grã-Bretanha.
Buscas
O jornal português Correio da Manhã diz, na edição desta segunda-feira, que a polícia retomará as buscas pelo corpo de Madeleine usando cães farejadores.
Em entrevistas a jornais britânicos publicados no fim de semana, o casal acusou a polícia de Portugal de estar tentando culpá-los pelo ocorrido, pressionando Kate McCann a confessar que matou Madeleine por acidente.
Segundo a imprensa portuguesa, uma das hipóteses que a polícia está investigando é a de que a mãe de Madeleine, Katherine McCann, teria agredido ou dado calmantes em excesso para a menina, causando a morte da filha.
Depois disso, ainda segundo os jornais portugueses, ela teria guardado o corpo em uma mala durante um mês. Isso explicaria o cheiro de cadáver em um carro alugado pelo casal três semanas após o desaparecimento.
As informações publicadas pelos jornais não foram confirmadas oficialmente pela polícia portuguesa, proibida de dar detalhes sobre as investigações.
* Colaborou Jair Rattner, de Lisboa