30 de agosto, 2007 - 00h43 GMT (21h43 Brasília)
Mais de 400 pessoas foram presas nesta quarta-feira em Santiago, no Chile, em confrontos entre manifestantes e a polícia.
A polícia de choque usou bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os manifestantes na capital chilena, que reagiam com pedras.
Os piores confrontos com a polícia ocorreram no momento em que manifestantes tentaram se aproximar do palácio presidencial de La Moneda.
Entre os mais de cem feridos nos confrontos está o senador socialista Alejandro Navarro.
Mais tarde, um porta-voz da polícia pediu desculpas pelos feridos.
Política econômica
O protesto de 24 horas contra as políticas econômicas neoliberais do governo foi organizado pela maior federação de sindicatos de trabalhadores do Chile com o objetivo de ser o maior desde a volta da democracia ao país, há 17 anos.
Os manifestantes bloquearam ruas em diversas partes de Santiago, causando transtornos no trânsito da capital.
Nas outras cidades do país, a maioria das manifestações transcorreu pacificamente.
Segundo o correspondente da BBC Daniel Schweimler, o descontentamento com a presidente Michelle Bachelet vem crescendo desde que ela assumiu o governo, no ano passado.
Diálogo
De acordo com Schweimler, a presidente chilena não gostou do fato de muitos membros de seu próprio governo terem participado dos protestos e afirmou que se recusa a aceitar que sua dedicação à justiça social não esteja sendo reconhecida.
Bachelet apelou para o diálogo em lugar da violência. A presidente disse que há espaço na democracia chilena para que as pessoas expressem suas reivindicações, mas que isso deve ser feito de forma pacífica.
A economia chilena é considerada uma das mais fortes e mais estáveis da América Latina.
No entanto, líderes sindicais afirmam que o sucesso econômico levou a piores condições sociais e de trabalho.
Esse protesto é o último de uma série de demonstrações violentas realizadas no Chile nos últimos meses, com reivindicações como maior investimento em educação ou uma nova política de transporte para Santiago.