29 de agosto, 2007 - 22h11 GMT (19h11 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, inaugurou nesta quarta-feira o porto da fábrica finlandesa de pasta de celulose Botnia, construída às margens do rio Uruguai, na fronteira do país com a Argentina.
A construção da fábrica na cidade de Fray Bentos é há meses motivo de uma disputa, apelidada pela imprensa de "guerra de papel", entre os dois países.
A Argentina é contra a construção da fábrica devido ao seu impacto ambiental. Por sua vez, as autoridades uruguaias argumentam que ela é o maior investimento já feito no Uruguai e garantem que estão sendo adotadas todas as medidas para proteger o meio ambiente.
A inauguração do porto gerou novo protesto oficial do governo da Argentina. Em lanchas, ambientalistas também realizaram uma manifestação alertando para o perigo de contaminação.
O vice-presidente do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, disse que o Exército poderá ser "convocado" para proteger a fábrica dos protestos dos ambientalistas.
"Guerra de papel"
Antes, em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirmou "lamentar" que o porto seja inaugurado em um momento de negociações entre equipes técnicas dos dois países.
De acordo com o comunicado, existe "pelo menos falta de vontade política" de avançar nestas discussões.
O presidente Vázquez afirmou, em diferentes ocasiões, que exige "o maior controle possível" para evitar a poluição na região, ponto turístico dos dois países.
Ao mesmo tempo, classificou de "inadmissível" a intoxicação que sofreram, recentemente, 13 empregados da fábrica durante testes realizados no local.
A fábrica ainda não está funcionando e não tem data prevista para entrar em operação.
Mediação
Devido à disputa, manifestantes mantêm interrompido, há nove meses, o trânsito na principal estrada que liga os dois países.
A queda de braço conta com a mediação de um representante do rei da Espanha e está sendo analisada pela Corte Internacional de Haia, na Holanda.
Em suas primeiras análises, o tribunal não reprovou a iniciativa do Uruguai, como se esperava na Argentina.
Para as autoridades brasileiras, a disputa entre Argentina e Uruguai é assunto bilateral - apesar de os dois países, junto com o Brasil, integrarem o Mercosul.