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19 de agosto, 2007 - 14h22 GMT (11h22 Brasília)

Carlos Chirinos
Enviado especial a Pisco

Demora de ajuda no Peru impacienta desabrigados por tremor

Cinco dias após o terremoto que assolou boa parte do Peru, muitos dos atingidos começam a se impacientar pela demora da ajuda que esperam das autoridades.

Na zona costeira da cidade de Pisco, a parte mais afetada pelo tremor da quarta-feira, os refugiados em improvisadas barracas e ao calor das fogueiras nas ruas se queixaram à BBC de que não receberam ainda nenhuma ajuda.

Duas questões estariam dificultando a distribuição de ajuda: uma é a falta de informação, ou seja, de uma lista confiável que permita avaliar as necessidades, e outra é a insegurança que se vive nas ruas.

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Além da possibilidade de novos tremores secundários, um dos maiores medos expressados pela população em Pisco é o que dizem sentir por causa das centenas de presos que escaparam de duas prisões locais destruídas pelos abalos sísmicos.

Nervosismo

“Eu vinha pela rodovia, e adiante vinham dois caminhões de Lima com víveres. As pessoas pararam o caminhão e o esvaziaram. Mais de 300 ou 400 pessoas assaltaram o caminhão”, disse à BBC Doris García, desabrigada em Pisco.

“Nem há soldados (para garantir a segurança)”, lamenta ela, mas pouco depois um grupo de cinco policiais passa patrulhando a pé a zona da praia em Pisco.

Os oficiais verificam os rumores de saques, mas reconhecem que são impotentes para controlar a situação, ainda que afirmem tentar evitar atos de vandalismo.

A promessa bem intencionada de segurança foi feita justo em frente ao que foi a distribuidora de gás de Magda Vera.

A loja foi destruída, primeiramente pelo terremoto e logo depois pelo avanço de uma multidão desesperada na primeira noite após a tragédia.

“As pessoas são más. Com a dor do que estamos passando, entraram e nos roubaram uns 85 botijões que tínhamos cheios de gás”, queixa-se Vera.

Latas de atum

Em uma esquina, um sofá de vime virado com as pernas para cima serve como uma espécie de balcão, detrás do qual várias mulheres entregam latas de atum e garrafas de água a algumas pessoas.

“Somos todos vizinhos desta rua”, diz uma das mulheres, assinalando a fileira de barracas improvisadas que se alinham aos dois lados do “centro de distribuição”.

“Nós mesmos estamos nos ajudando. Não temos ajuda de mais ninguém. Estamos vivendo um dia após o outro. Isto é o que temos para comer agora. Amanhã não sabemos o que teremos”, diz outra mulher, mostrando umas poucas latas de atum.

Mas elas não se queixam da falta de ajuda, porque asseguram que “há outras pessoas que têm mais necessidades do que nós”. “Não é hora de buscar culpados”, afirma uma delas.