Marcelo Crescenti
De Frankfurt
As principais bolsas de valores asiáticas sofreram uma das maiores quedas dos últimos anos, o que fez com que as bolsas européias abrissem em baixa na manhã desta quinta-feira.
O índice Nikkei da bolsa de Tóquio voltou a cair em 2%. A bolsa de Seul, na Coréia do Sul, sofreu as piores perdas, com uma queda de quase 7%.
Durante o pregão em Tóquio, o Nikkei chegou até a ficar abaixo dos 16.000 pontos pela primeira vez desde novembro de 2006.
Nas bolsas de Cingapura e Hong Kong, as perdas foram de 3,7%, enquanto em Taiwan a queda foi de 4,6%.
Analistas disseram que as bolsas da região, em queda já há vários dias, não viam perdas semelhantes desde a crise causada pelos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.
Reflexo
O mau desempenho das bolsas asiáticas se refletiu nos mercados de ações europeus.
Às 9h45 de Londres (5h45 de Brasília), o FTSE da Bolsa de Londres registrava queda de 2,15%, enquanto o índice Dax da bolsa de Frankfurt estava em baixa de 1,98% e Paris caía 2,23%.
O nervosismo causado pela crise no mercado de crédito imobiliário de risco nos Estados Unidos foi agravado por especulações sobre a possível quebra de mais um banco americano.
A cotação das ações do banco imobiliário Countrywide caíram drasticamente depois de boatos sobre sua falência, que acabaram tendo repercussão mundial.
“Falta confiança, o mercado não está se tranqüilizando”, comentou Kazuhiko Shibata, analista do banco alemão Dresdner Bank para a Ásia.
Economistas europeus já temem que a crise leve os bancos a oferecerem menos empréstimos no futuro, o que pode desaquecer a economia.
“A médio prazo vai ficar mais difícil obter crédito, já que os bancos vão ficar mais cautelosos”, diz o economista chefe da Câmara de Comércio e Indústria alemã Axel Nitschke.