09 de agosto, 2007 - 00h49 GMT (21h49 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
A empresa estatal de energia argentina Enarsa (Energía Argentina Sociedad Anónima) divulgou um comunicado nesta quarta-feira confirmando ter alugado o avião que viajou de Caracas, na Venezuela, para Buenos Aires, na Argentina, com três argentinos e cinco venezuelanos – um deles carregando uma mala com US$ 800 mil.
A mala com dinheiro foi apreendida no aeroporto, na chegada a Buenos Aires. O incidente, ocorrido no último sábado, foi considerado "misterioso" tanto na imprensa argentina como na venezuelana.
Em seu comunicado, a Enarsa informou ter alugado o jato para transporte de seu presidente, Ezequiel Espinoza. Afirmou ainda que o empresário venezuelano que carregava o dinheiro, identificado como Antonini Wilson, não resistiu em abrir a mala com os dólares na Alfândega (conforme havia sido divulgado inicialmente).
Além de Espinoza e de Antonini Wilson, estavam no avião quatro funcionários da estatal venezuelana PDVSA, o presidente do Órgão de Controle de Concessões de Estradas (OCCOVI, na sigla em espanhol), Claudio Uberti, e a relações públicas Victoria Bereziuk.
Vínculos
Uberti é hoje, segundo a imprensa argentina, um dos principais vínculos entre os dois governos e esteve cotado para ser embaixador da Argentina na Venezuela.
Segundo a TV América, Uberti é integrante da equipe do ministro do Planejamento, Julio de Vido, e foi decisivo, por exemplo, nas negociações para a venda de títulos públicos da Argentina à Venezuela.
Os nomes dos integrantes do vôo foram confirmados pela promotora de Justiça María Rivas Diez, e o caso está sendo investigado pela Justiça.
Segundo Diez, não existem provas que vinculem o dono da mala às autoridades argentinas e venezuelanas.
"Está confirmado, duas autoridades argentinas neste vôo. E não é possível que o governo não dê explicações sobre este fato", declarou o deputado Ernesto Sanz, da linha opositora do partido UCR, minutos antes do comunicado da Enarsa.
No comunicado, a estatal argentina explica ainda que deu carona aos venezuelanos e que um deles, da PDVSA, informou estar com acompanhante - que seria Antonini Wilson.
Mala presa
Os US$ 800 mil continuam apreendidos. Para recuperá-los, de acordo com as regras argentinas, será preciso o pagamento de US$ 400 mil – 50% do total, já que o dinheiro não tinha sido declarado e supera o limite permitido de US$ 10 mil para entrar no país.
O vôo com a mala de dinheiro chegou à Argentina no último sábado, dois dias antes do desembarque do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no país, abrindo especulações sobre as possíveis ligações entre o dono da mala e a comitiva oficial venezuelana.
Em entrevista coletiva à imprensa em Buenos Aires, o líder venezuelano negou qualquer vínculo com o assunto e disse tratar-se de "caso de polícia".
Nesta quarta-feira, com Chávez já no Uruguai, a TV América informou que "fontes judiciais" afirmaram que o dinheiro seria entregue a "movimentos sociais simpatizantes de Chávez".
Não houve comentários das autoridades argentinas e venezuelanas sobre a denúncia.