07 de agosto, 2007 - 20h28 GMT (17h28 Brasília)
Denize Bacoccina
Enviada especial a Tegucigalpa (Honduras)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que não vai permitir que as investigações sobre o senador Renan Calheiros atrapalhem o andamento dos projetos de interesse do governo no Congresso.
"Até agora, quando eu saí do Brasil no domingo, o Senado e Câmara estavam votando as coisas que interessam ao país", afirmou o presidente em entrevista coletiva em Tegucigalpa, ao ser questionado por jornalistas brasileiros sobre a repercussão das investigações sobre o presidente do Senado.
"Mas se regressando ao Brasil, eu descobrir, e os ministros que ficaram lá me disserem, que o Senado está atrasando alguma votação, eu irei me reunir com a liderança do governo no Senado, com a liderança dos partidos, e dizer que nenhum caso individual, por mais importante que seja, pode atrapalhar a votação de coisas de interesse do nosso país", afirmou.
O presidente Lula está em Tegucigalpa, em Honduras, na segunda parada de sua visita a cinco países da região, que começou no México, onde ele chegou no domingo à noite. De Honduras, Lula segue no fim da tarde desta terça-feira para Nicarágua. Depois, parte para Jamaica e Panamá.
O presidente disse que tem acompanhado pela imprensa a defesa do senador e que "há dois meses não se fala em outra coisa".
Segundo Lula, o caso tem dois caminhos a seguir: "ou o Senado toma uma decisão ou envia para o Supremo Tribunal Federal (STF) tomar uma decisão a respeito", afirmou.
E disse que não iria opinar sobre o caso. "Um presidente da República, por mais importante que seja, não opina sobre o que vai acontecer no Supremo", afirmou.
Acusações
Nesta terça-feira, o STF determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Renan Calheiros, que enfrenta uma série de acusações.
O senador é suspeito de ter utilizado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Ele também é acusado de ter beneficiado a fabricante de cervejas Schincariol, que comprou uma fábrica de seu irmão, e de ter usado laranjas para se tornar sócio de duas rádios e de um jornal em seu Estado natal, Alagoas.
Em pronunciamento na tribuna do Senado nesta terça-feira, Renan atribuiu as denúncias que vêm enfrentando a intrigas políticas, alimentadas por inimigos políticos.
"Devassei minhas declarações de renda, minha vida contábil, minha vida fiscal e minha vida bancária como poucos o fizeram, mostrando que não tenho nada a temer, não tenho nada a esconder. Continuo não tendo nada a ocultar", disse o senador.
"Não tenho, repito o que disse, patrimônio clandestino. Fui eu, não esqueçam através de ofício encaminhado há 30 dias, quem solicitei ao Ministério Público a investigação de todas as denúncias, sem exceção."