07 de agosto, 2007 - 22h31 GMT (19h31 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
Uma mala com US$ 800 mil foi apreendida em um aeroporto de Buenos Aires quando quatro venezuelanos e dois argentinos tentavam entrar no país com o dinheiro.
Eles chegaram em um jato particular, e um dos venezuelanos disse que era diplomata e chegava à Argentina para preparar a visita do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Mas o venezuelano não apresentou passaporte oficial e ainda resistiu em abrir a mala, alegando que tinha apenas livros e outras coisas sem valor.
O incidente foi considerado "misterioso" tanto na imprensa argentina como na venezuelana. "Mistério em Buenos Aires e ninguém sabe explicar de onde saiu essa bolada de dinheiro", destacou a emissora Globovisión, de Caracas.
"Ninguém sabe explicar por que essa informação demorou 48 horas para ser divulgada. Ninguém informa quem são essas pessoas. Mas é realmente misterioso e envolve venezuelanos e argentinos", disse, por sua vez, o jornalista Edgardo Alfano, da emissora de televisão argentina TN (Todo Notícias).
Cofre
O dinheiro apreendido foi trancado em um cofre do aeroporto local da capital argentina, o Aeroparque, e colocado sob a vigilância de dois soldados.
O venezuelano, cuja identidade não foi revelada, foi liberado, mas terá que pagar uma multa de US$ 400 mil caso queira recuperar a mala com os dólares.
O valor é correspondente a 50% do dinheiro, já que, de acordo com fontes da alfândega argentina, o montante não foi declarado.
O caso já começou a ser investigado pela Justiça argentina.
"Caso de polícia"
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desembarcou em Buenos Aires na segunda-feira e, nesta terça, preparava-se para seguir viagem para Montevidéu, no Uruguai.
Quando perguntado sobre a mala, Chávez respondeu: "Isso é uma plantação do Império que quer criar diferenças entre Argentina, Brasil e Venezuela". E completou: "Isso é caso de polícia".
Na emissora de rádio Mitre, um locutor comentou: "Isso não tem nada a ver com o imperialismo, mas com um dinheiro que chegou irregularmente ao país".
O embaixador venezuelano na Argentina, Arévalo Méndez, negou qualquer ligação dos integrantes do jatinho com o governo do seu país.