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Marcia Carmo
De Buenos Aires

Chávez nega ter dado 'ultimato' para entrada no Mercosul

Em seu programa dominical Alô, presidente, o líder venezuelano Hugo Chávez negou ter dado “ultimato” aos Congressos do Brasil e do Paraguai para que seu país entre como membro pleno do Mercosul.

“Eu não dei ultimato a ninguém. Que ultimato eu daria ao Congresso do Brasil ou do Paraguai, que são soberanos e de países que eu amo?”, disse diante da câmera de TV, no Palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

No início do mês passado, Chávez havia afirmado que esperaria a aprovação parlamentar do Brasil e do Paraguai somente até setembro, caso contrário desistiria da união com o Mercosul.

“Eu disse setembro, mas nós podemos esperar um pouco mais. E quando falei em setembro era para colocar um prazo para nós mesmos e não para eles”.

"Bom amigo"

Chávez contou que seu “bom amigo” Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, disse que o governo brasileiro fará “o que puder” para que a Venezuela seja membro pleno do Mercosul.

“E isso tenho que agradecer ao governo do Brasil e também ao presidente da Argentina”, disse.

E insistiu: “Não há desespero. Antes mesmo de eu assumir a presidência, em 1998, anunciei que queria que a Venezuela fosse integrante do Mercosul”.

A Venezuela assinou o protocolo de adesão do Mercosul no ano passado para se tornar membro integral do bloco, ao lado de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

No entanto, a adesão da Venezuela ainda precisa ser aprovada pelo Senado do Brasil e do Paraguai para ser reconhecida pelo bloco.

As declarações de Chávez ocorrem poucos dias depois que ele criticou a “falta de vontade política” do Brasil para levar adiante a idéia de criação do Gasoduto do Sul e um dia antes de seu embarque para um giro pela América do Sul, começando pela Argentina, passando por Uruguai e Bolívia e terminando no Equador.

Ainda em seu programa dominical, o líder venezuelano voltou a acusar os Estados Unidos de conspirar contra os países da América Latina.

“É preciso ter cuidado com o que se diz porque os agentes do império estão à caça do que a gente diz, para intrigar e para colocar em briga os países latino-americanos”, discursou.