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01 de agosto, 2007 - 20h12 GMT (17h12 Brasília)

Saída de sunitas do governo iraquiano pode ser temporária

A decisão do maior bloco sunita do Iraque de abandonar a coalizão de governo não representa uma ruptura definitiva dos sunitas com o governo do primeiro-ministro Nouri Al-Maliki.

Segundo o analista da BBC Bob Trevelyan, o fato de o vice-presidente iraquiano, Tareq Al-Hashimi, ser um sunita e de os partidos sunitas não terem anunciado a saída de seus representantes no Parlamento iraquiano é significativo.

Uma possível volta do bloco sunita, conhecido como Frente de Concordância do Iraque, ao governo iraquiano poderia acontecer caso as exigências do grupo sejam atendidas.

Trevelyan avalia que, durante o recesso no Parlamento iraquiano, nas próximas quatro semanas, haverá negociações – com a participação dos Estados Unidos - para que os sunitas voltem ao gabinete de governo de Maliki.

Moqtada Al-Sadr

O grupo sunita contava com seis ministros na atual administração.

Segundo Rafaa al-Issawi, o líder do bloco, os seis políticos apresentariam sua renúncia ainda nesta quarta-feira.

O grupo atribuiu a decisão à suposta falha do governo de Maliki em atender as reivindicações do bloco.

Entre os pedidos do bloco estavam o desmantelamento de milícias e a exigência de que todos os grupos representados pelo governo sejam consultados em temas ligados à segurança.

"O governo continua com sua arrogância, sua recusa em mudar de rumo e fechou as portas para quaisquer importantes reformas necessárias para salvar o Iraque", afirmou Rafaa al-Issawi.

O bloco sunita conta com 44 deputados no Parlamento iraquiano. A retirada da facção é a segunda sofrida pela administração de Maliki desde a formação do atual governo, há 14 meses.

Em abril, cinco ministros ligados ao clérigo muçulmano xiita Moqtada Al-Sadr deixaram o governo, em protesto contra a sua relutância em aceitar um prazo para a retirada das tropas americanas do país.