30 de julho, 2007 - 13h37 GMT (10h37 Brasília)
Marina Wentzel,
de Hong Kong
Apesar da restritiva política de natalidade, muitos casais procuram tratamentos de fertilização na China e sêmen está em falta no país.
As doações de universitários têm ajudado a suprir a demanda, mas não são suficientes, segundo uma autoridade do banco de sêmen de Pequim ouvida pelo jornal estatal China Daily.
"Os universitários estão mais dispostos a ajudar", disse Chen Zhenwen, diretor do banco de sêmen afiliado à Comissão Nacional de População e Planejamento Familiar, órgão estatal que supervisiona a política de natalidade do país.
Segundo Chen, mitos como a crença de que "uma gota de sêmen equivale a dez gotas de sangue" contribuem para a falta de doadores.
Pessoas com melhor nível de instrução estariam mais dispostos a participar por não acreditarem em crendices, explica Chen. "Muitos deles (os doadores) são voluntários olímpicos", revela.
Os voluntários olímpicos são chineses de bom nível social que falam línguas estrangeiras e foram recrutados para dar boas vindas aos visitantes durante os jogos do ano que vem.
Desde 2005, quando o banco de esperma entrou em funcionamento, centenas de universitários já doaram seu material genético, afirma Chen sem precisar um número.
Demanda
Cerca de 10% dos casais chineses não conseguem ter filhos e em um terço dos casos o insucesso se deve à infertilidade masculina, de acordo com o jornal.
Apesar de poderem ter apenas um filho e a concepção ser fortemente desestimulada no país, muitos casais vão em busca de tratamentos para se certificarem de que vão conseguir produzir o único herdeiro a que têm direito pela lei.
Atualmente na China existem 10 bancos de esperma e 88 clínicas de inseminação artificial, que oferecem tratamento de fertilização in-vitro (IVF, na sigla em inglês).
De acordo com o Ministério da Saúde da China, cada doação pode dar origem a até cinco gravidezes e os bancos pagam em média 2000 iuan (R$508) por recipiente.
Mas segundo o China Daily não é fácil ser aceito como doador. "Ao contrário do que muitos podem pensar, doação de esperma não é simplesmente entrar numa clínica, ter cinco minutos de prazer consigo mesmo e entregar a felicidade em um potinho à enfermeira", diz o jornal.
Os interessados precisam passar por uma série de testes para detectar doenças sexualmente transmissíveis, doenças infecciosas ou problemas genéticos, explica a reportagem.
"Nós doamos sangue e medula, por que então não podemos doar esperma, no final das contas estamos ajudando casais a realizar seus sonhos", argumenta o estudante Xiao Wang (nome fictício).
Mas apesar da atitude confiante, o jovem Xiao admitiu não ter tido coragem de contar à namorada que é um doador.
Política do filho único
Exatamente por ser uma nação de filhos únicos é que os chineses valorizam tanto a paternidade e chegam a se submeter a tratamentos de fertilização, se necessários para atingir esse objetivo.
Em vigor desde o fim dos anos 70, estima-se que a política que estabelece um filho por casal tenha evitado o nascimento de mais de 400 milhões de pessoas.
Atualmente, a população da China é de 1,3 bilhão de habitantes. Estatísticas oficiais prevêem que em 2033 este número chegará a 1,5 bilhão, atingindo o auge da expansão populacional, e que a partir de então ocorrerá um declínio.