26 de julho, 2007 - 23h27 GMT (20h27 Brasília)
Kim Ghattas
De Washington
Um juiz federal em Boston condenou o governo americano a pagar mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 200 milhões) para pessoas acusadas injustamente pelo FBI, a polícia federal americana.
Os quatro homens foram condenados em 1965 pelo assassinato do mafioso Edward Teddy Deegan.
Eles passaram décadas na cadeia depois que o FBI escondeu provas que os inocentavam. Dois deles morreram na cadeia.
Os dois que sobreviveram e as famílias dos que morreram processaram o governo federal por má-fé no processo judicial.
Os advogados de Peter Limone, agora com 73 anos, e Joseph Salvati, de 74, disseram que os dois homens esperaram a vida toda por esse momento.
Eles foram acusados – junto com os falecidos amigos Louis Greco e Henry Tameleo – de matar Deegan em um beco durante um assalto em Boston.
Limone e Salvati foram soltos em 2001, depois que documentos do FBI revelaram que os homens haviam sido falsamente acusados.
Mentira
Os advogados de Salvati e Limone e dos familiares dos outros dois argumentaram que os agentes do FBI sabiam que uma das testemunhas do caso havia mentido ao incriminar os quatro pelo assassinato de Deegan.
A testemunha-chave Joseph Barboza mentiu para proteger um comparsa e informante do FBI, Vincent Flemmi, que participou da morte do mafioso.
Durante o longo processo, o governo argumentou que as autoridades federais não podem ser responsabilizadas por erros em processos estaduais.
Mas a juíza Nancy Gertner, que analisou o caso, disse que a injustiça demorou 30 anos para ser corrigida e que a postura do governo neste caso era "absurda".