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12 de julho, 2007 - 21h55 GMT (18h55 Brasília)

Daniela Kresch
De Tel Aviv

Israelenses temem novo conflito com Hezbollah

Um ano depois do começo da guerra entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, a maioria dos israelenses acredita que um novo conflito na região é só questão de tempo.

Segundo pesquisa de opinião divulgada nesta quinta-feira pela rádio Reshet Bet, a mais importante de Israel, 60% dos entrevistados acham que há possibilidade de outra guerra acontecer nos próximos 18 meses.

De acordo com outra enquete, divulgada na quarta-feira pelo canal 10 de TV, 35% dos israelenses estão certos de que um novo conflito pode ser deslanchado ainda este ano.

Veja fotos da reconstrução do Líbano depois do conflito

As pesquisas refletem o descontentamento dos israelenses em relação aos resultados da guerra, que muitos acreditam ter sido conduzida com desleixo pelas cúpulas política e militar.

A percepção popular é a de que Israel fracassou no conflito, com um Exército que se revelou despreparado e mal-equipado.

Na tentativa de mudar essa imagem, o ex-ministro da Defesa Amir Peretz – que deixou o cargo, desacreditado, há poucas semanas, – disse que "Israel saiu do conflito melhor preparado" para emergências militares.

Já o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que visitou hoje o norte de Israel, admitiu que erros foram cometidos, mesmo avaliando que a guerra foi justificada.

"Tínhamos a necessidade de erradicar de uma vez por todas a ameaça que pairava sobre centenas de milhares de pessoas", afirmou Olmert.

Conflito

A guerra começou em 12 de julho de 2006 com uma emboscada do Hezbollah a uma patrulha israelense na fronteira. Três reservistas israelenses foram mortos, e dois, seqüestrados.

Em 2000, o Hezbollah já havia seqüestrado três soldados israelenses (os caixões com os corpos dos três – que não sobreviveram ao cativeiro – foram trocados por presos libaneses em 2003).

O Hezbollah também começou a lançar foguetes Katyusha (de fabricação russa) contra todo o norte de Israel, obrigando um terço da população do país (quase 2 milhões de pessoas) a se refugiar em abrigos subterrâneos.

Durante o conflito, mais de 4 mil Katyushas atingiram Israel, destruindo ou danificando mais de 6 mil residências e prédios públicos.

A reação militar israelense foi imediata e violenta. Aviões do país bombardearam alvos do Hezbollah na fronteira, arrasando vilarejos dominados pelo grupo.

Em Beirute, Israel destruiu pistas do aeroporto internacional e lançou mísseis contra a Dahyia, o bairro do Hezbollah na capital libanesa.

O país também enviou quase 30 mil soldados ao sul do país vizinho. Mais de mil pessoas morreram, na maioria civis.

Em Israel, a contagem de mortos ficou em 158 pessoas, sendo 43 civis.

O conflito só terminou 34 dias depois com um cessar-fogo mediado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

"A postos"

Mas, para os israelenses, a resolução 1701 da ONU não marcou o fim das hostilidades entre o país e o grupo islâmico, que domina o sul do Líbano desde a década de 1980 e conta com apoio sírio e iraniano.

A resolução da ONU prevê, entre outros pontos, a retirada total do Hezbollah da região, sendo substituído pelo Exército libanês e por um maior contingente de tropas internacionais.

Mas, em depoimentos ao jornal israelense Haaretz, soldados que servem na fronteira afirmam que nada mudou: o Hezbollah continua a postos. Eles alegam que o perigo de novos seqüestros de soldados é tão grande quanto antes.

Para a maioria dos israelenses, o que aconteceu no ano passado foi apenas uma preliminar para a próxima guerra, desta vez contra uma força mais temida: o exército da Síria, que estaria interessado em retomar, à força, as Colinas do Golã (território estratégico ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967).

Serviços de informação israelenses dão conta de que a movimentação militar síria na fronteira aumentou muito desde julho do ano passado.

Para acalmar a população, autoridades políticas e militares têm saído a público com avaliações otimistas.

Ontem, o vice-comandante do Exército, Moshe Kaplinsky, disse que não há sinais concretos de um ataque iminente.