13 de julho, 2007 - 00h03 GMT (21h03 Brasília)
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira um projeto de lei que prevê a retirada da maior parte das tropas americanas do Iraque até abril do ano que vem.
O projeto prevê que o Pentágono inicie a retirada de soldados do Iraque dentro de quatro meses. Alguns soldados americanos, no entanto, poderiam permanecer no país para treinar as forças iraquianas e executar ações antiterrorismo.
A legislação foi aprovada por 223 votos contra 201, apesar das ameaças do presidente George W. Bush de que irá vetar qualquer cronograma para a retirada das tropas.
"Está na hora de o presidente ouvir o povo americano e fazer o que for necessário para proteger esta nação", disse o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. "Isso significa admitir que sua estratégia para o Iraque falhou, trabalhar com democratas e republicanos no Congresso na elaboração de uma nova abordagem para o Iraque e dar novo foco aos nossos esforços coletivos para derrotar a rede Al-Qaeda."
Segundo correspondentes da BBC em Washington, a Câmara dos Representantes, que é controlada pela oposição democrata, pretende pressionar o Senado (também sob controle democrata) a aprovar um projeto semelhante.
Esta é a terceira vez neste ano que a Câmara dos Representantes aprova um projeto para encerrar o envolvimento militar americano no Iraque.
As duas propostas anteriores não foram adiante por não conseguir aprovação no Senado ou por receber o veto presidencial.
"Desastre"
Nesta quinta-feira, depois de enviar ao Congresso um relatório preliminar sobre o progresso das operações no Iraque, Bush disse que retirar os soldados americanos do país antes que a sua missão esteja cumprida seria um "desastre".
O presidente dos Estados Unidos disse que, embora a saída do Iraque seja "um objetivo compartilhado por todos os americanos", no momento "este não é o verdadeiro debate". Para Bush, sair agora seria "entregar o futuro do Iraque à Al-Qaeda".
O relatório da Casa Branca, que examina o impacto do envio de tropas adicionais ao Iraque neste ano, faz uma avaliação mista do atual quadro, com pontos positivos e negativos sobre o desempenho do governo iraquiano.
Bush pediu que o Congresso espere o tempo que for preciso e aprove a liberação de recursos necessários para que a missão seja concluída.
"Acredito que é interesse do país dar ao comandante (dos EUA no Iraque) uma chance de implementar totalmente as suas operações e eu acredito que o Congresso deve esperar o general (David) Petraeus voltar e fazer a sua avaliação da estratégia que está colocando em prática antes de tomar qualquer decisão", afirmou Bush.