10 de julho, 2007 - 22h42 GMT (19h42 Brasília)
Denize Bacoccina
De Brasília
Apesar de reduzir a possibilidade de um apagão em 2012, a construção das hidrelétricas no rio Madeira não evita o risco de um apagão energético entre 2009 e 2011, na opinião do presidente do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires.
“É uma boa notícia (a liberação das usinas pelo Ibama). Mas para evitar apagão entre 2009 e 2011, tem que rezar”, afirmou Pires à BBC Brasil.
Segundo Pires, para evitar um aumento muito forte do consumo, o governo terá que aumentar o preço do gás e da energia elétrica, que pode levar a economia a crescer menos do que os 5% previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
“A questão da oferta da energia elétrica é um obstáculo muito grande ao crescimento da economia”, disse Pires. “Com a oferta atual, não dá para crescer mais de 4%.”
Um estudo do CBIE diz que uma taxa de crescimento da economia de 4% ao ano significa uma expansão de 4,9% no consumo de energia elétrica.
Uma grande fonte de incerteza, de acordo com o estudo, é a falta de gás natural para a geração de energia nas termelétricas. Vários atrasos tanto na importação de gás líquido quanto na entrada em operação de novas bacias da Petrobras devem adiar em alguns anos o cronograma previsto pela Petrobras.
Pires diz que o início das obras das usinas do rio Madeira é importante para evitar um apagão em 2012.
“Se o governo não começar agora a resolver este nó ambiental, em 2012 vai ter apagão com certeza”, afirma.
A primeira das duas usinas cujas licenças foram liberadas nesta segunda-feira, Santo Antonio, deverá leiloada em outubro deste ano, mas só começa a produzir energia em 2012. A segunda usina, Jirau, deve ser leiloada no início do ano que vem.
Juntas, as duas usinas terão capacidade de produzir 6.450 megawatts – o equivalente a metade da potência de Itaipu e 8% da demanda nacional, de acordo com o governo.