09 de julho, 2007 - 23h49 GMT (20h49 Brasília)
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deverá se reunir com negociadores europeus no final da próxima semana para conversar sobre a Rodada Doha de liberalização do comércio mundial.
O convite a Amorim foi feito pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um telefonema nesta segunda-feira, informou o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach.
"A sugestão (de Merkel) foi aceita pelo presidente Lula e o chanceler Celso Amorim acertará com as contrapartes européias os detalhes do encontro", disse Baumbach.
De acordo com o porta-voz, Lula "sublinhou que, segundo o seu entender, já manifestado em diversas oportunidades, a solução para o impasse (na Rodada Doha) requer reunião política no nível de chefes de Estado".
Em resposta, conforme Baumbach, a chanceler alemã "afirmou não se opor a uma negociação no mais alto nível", mas disse que "todas as oportunidades de entendimento devem ser aproveitadas e o prosseguimento das conversações em outros níveis melhoraria as chances de obtenção de bons resultados".
Segundo o porta-voz, ainda não está definido o local da reunião entre Amorim e os negociadores europeus, "mas será, provavelmente, na Europa, devido ao restante da agenda do ministro".
Baumbach disse que não está prevista a participação de negociadores dos Estados Unidos, embora Merkel tenha mencionado que entrará em contato com os americanos.
Durante a conversa telefônica, Lula e a chanceler alemã também combinaram a visita de Merkel ao Brasil, em 2008.
Impasse
O telefonema partiu de Merkel. Durante 20 minutos, a chanceler alemã e Lula conversaram sobre o impasse nas negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), de acordo com o porta-voz.
Conforme Baumbach, Merkel "disse ao presidente que tem ainda esperança de que se possa levar a bom termo a Rodada Doha".
"O presidente Lula, a respeito, reiterou seu ponto de vista de que a boa vontade das várias partes envolvidas na negociação não se tem traduzido em resultados concretos, porque os números das propostas não têm correspondido à realidade."
De acordo com o porta-voz, Lula citou "o caso dos subsídios domésticos americanos à agricultura, os cortes insatisfatórios de tarifas para importação de produtos agrícolas propostos pela União Européia e a expectativa demasiado elevada quanto ao coeficiente do corte de tarifas industriais dos países em desenvolvimento".
Baumbach disse que, apesar desses problemas, Lula "reiterou que o Brasil continua inteiramente disposto a seguir nas negociações e demonstrará flexibilidade, se as demais partes também estiverem dispostas a flexibilizar suas posições".