26 de junho, 2007 - 04h53 GMT (01h53 Brasília)
O ex-primeiro ministro palestino Ismail Haniya, do Hamas, disse que seu grupo está pronto para dialogar com a facção rival, Fatah.
A declaração de Haniya foi uma reação a um pedido do presidente do Egito, Hosni Mubarak, para a retomada do diálogo entre as duas facções palestinas.
Falando em uma reunião no balneário egípcio de Sharm el-Sheik que tinha como objetivo discutir a crise nos territórios palestinos e fortalecer o novo governo instalado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas, sem a participação do Hamas, Mubarak fez um apelo pela "retomada do diálogo entre todos os filhos da Palestina e a conquista de uma posição comum que fale por seu povo e por sua causa".
Um porta-voz de Haniya em Gaza disse que o Hamas está "disposto a iniciar esse diálogo (pedido por Mubarak) imediatamente".
No último dia 14, depois de vários dias de violentos confrontos, o Hamas assumiu o controle total da Faixa de Gaza. Como resposta à onda de violência, o presidente Abbas, do Fatah, dissolveu o governo de união nacional formado pelos dois grupos, decretou estado de emergência e destituiu Haniya, nomeando o político independente Salam Fayyad para o cargo de primeiro-ministro.
Libertação de prisioneiros palestinos
O encontro no Egito reuniu Abbas, Mubarak, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o rei Abdullah, da Jordânia.
Na reunião, Olmert disse que pedirá a seu gabinete que liberte 250 membros do Fatah presos em Israel.
"Como um gesto de boa vontade junto aos palestinos, eu vou apresentar ao gabinete do governo de Israel a proposta de libertar 250 prisioneiros membros do Fatah que não têm sangue em suas mãos", disse Olmert.
O primeiro-ministro israelense disse que esses prisioneiros libertados teriam de assinar um compromisso de não retornar à violência.
Cerca de 10 mil prisioneiros palestinos são mantidos em prisões israelenses, alguns sem acusação.
Abbas pediu a Israel que inicie "negociações políticas sérias, de acordo com um calendário acordado, com o objetivo de estabelecer um Estado palestino independente".
"Minha mão está estendida ao povo israelense", disse Abbas.
Segundo a correspondente da BBC Heba Saleh, apesar de Abbas ter obtido todo o apoio que buscava, na prática isso pode não fazer muita diferença.
O Hamas - que é considerado um grupo terrorista por Israel - permanece no controle da Faixa de Gaza, lembra Saleh, o que impede qualquer perspectiva séria de negociações de paz.