26 de junho, 2007 - 22h10 GMT (19h10 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
Bolívia e Venezuela deram novos passos nesta terça-feira na implementação de seus projetos de nacionalização do setor de hidrocarbonetos.
Na Bolívia, o governo do presidente Evo Morales e a Petrobras assinaram um acordo que formaliza a transferência das duas refinarias da empresa no país para a estatal boliviana YPFB.
Morales, que descreveu a terça-feira um dia "histórico" para a Bolívia, liderou as cerimônias nas refinarias Guillermo Elder Bell e Gualberto Villarroel, em Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba.
Por sua vez, na Venezuela, o ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramírez, assinou memorandos de entendimento com quatro empresas petroquímicas multinacionais, que passarão a ser de capital misto no país.
Essas empresas, que operam na bacia do rio Orinoco, rica em petróleo, irão dividir as operações com a estatal PDVSA.
Duas multinacionais americanas que atuam na bacia, ConocoPhilips e a Exxon Mobil, se recusaram a assinar memorandos e agora vão se retirar do país.
Nova placa
Em um discurso em Santa Cruz, o presidente boliviano Evo Morales pediu que os "vende-pátria" não voltem mais à Bolívia.
"Que nossos recursos naturais não voltem a ser entregues às transnacionais. Vamos colocar um cadeado, vamos blindar nossa Constituição para que isso não volte a acontecer", discursou Morales, em Santa Cruz.
Nas cerimônias, a marca da Petrobras foi trocada pela da YPFB Refinaria S.A., nova subsidiária da estatal, de acordo com informações da Agência Boliviana de Informação (ABI).
"A criação desta nova empresa e o controle das duas refinarias significam novos desafios para o governo e para YPFB", disse o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas.
O ministro reiterou que a prioridade das refinarias, e de toda a cadeia produtiva boliviana, é abastecer o mercado interno.
Desafios
As duas unidades de refino foram compradas pela Petrobras em 1999 e vendidas à Bolívia por US$ 112 milhões em 2007.
Na opinião do analista do setor, o ex-ministro boliviano de hidrocarbonetos Maurício Medina Celi, as refinarias, sob a batuta do governo, terão desafios pela frente, incluindo aumentar a produção e receber novos investimentos, como prometeu Morales.
"Hoje, não há clima para que cheguem novos investimentos neste setor do país e o governo se prepara agora para avançar na nacionalização das empresas de transportes e de armazenagem de petróleo e seus derivados", afirmou Medina Celi à BBC Brasil, por telefone, de La Paz.
O ex-ministro do governo do ex-presidente Eduardo Rodríguez destacou ainda que existe "escassez" e "racionamento" de gás natural no interior da Bolívia. Na opinião de Medina Celi, isso é sinal da falta de confiança e de investimentos no país.