25 de junho, 2007 - 10h36 GMT (07h36 Brasília)
Andrea Wellbaum
Enviada especial a Sharm el-Sheikh, no Egito
Os líderes de Israel, Egito e Jordânia se reúnem nesta segunda-feira com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh, para fortalecer o novo governo instalado pelo líder palestino.
Além de Abbas, estarão presentes o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e o rei Abdullah, da Jordânia.
Um dia antes do encontro, Israel anunciou a transferência a Abbas de cerca de US$ 350 milhões de impostos recolhidos de palestinos e retidos desde o início de 2006, quando o grupo islâmico Hamas venceu as eleições palestinas.
A liberação dos fundos era um pedido que o presidente palestino pretendia formalizar durante a conferência no Egito e detalhes de como ela será feita devem ser discutidos entre Abbas e Olmert nesta segunda-feira.
Israel pretende transferir os recursos aos palestinos apenas quando houver um mecanismo que impeça que eles cheguem às mãos do Hamas, que continua controlando a Faixa de Gaza.
Estado palestino
Na reunião também devem ser discutidas formas de facilitar a movimentação de palestinos na Cisjordânia, onde existem centenas de barreiras policiais e postos de checagem israelenses.
Por outro lado, para que o policiamento israelense seja reduzido, Israel deve apresentar algumas exigências de segurança a Abbas para que sejam realizados mais esforços para prevenir que militantes palestinos que ameacem a população israelense.
Abbas também quer que sejam retomadas negociações sobre a formação de um Estado palestino, que, na opinião do líder, seria a única forma de evitar que a população dos territórios ocupados se sinta desestimulada e venha eventualmente a se solidarizar com o Hamas.
Este é o primeiro encontro entre Olmert e Abbas desde a tomada da Faixa de Gaza pelo Hamas, quando as forças de segurança e autoridades do Fatah foram expulsas do território.
O Hamas não foi convidado para participar da conferência e seu líder, Ismail Haniya, criticou o evento, dizendo que a única forma de se chegar a um Estado palestino é através da resistência.
Influência islâmica
Desde a formação do governo de emergência palestino, nomeado por Abbas, Israel e muitos países do Ocidente vêm demonstrando apoio ao novo gabinete, que não conta com a presença do Hamas.
Alguns países árabes também têm revelado apoio ao moderado presidente palestino, como o Egito, que organiza a conferência em Sharm el-Sheikh.
Na semana passada, o governo egípcio transferiu sua embaixada de Gaza para a Cisjordânia e o encontro desta segunda-feira é mais uma tentativa de fortalecer o governo de Abbas.
O Egito tem 20 quilômetros de fronteira com a Faixa de Gaza e considera a situação no território vizinho uma ameaça para sua segurança nacional.
Na semana passada, centenas de soldados extras foram posicionados na fronteira.
De acordo com analistas egípcios, o governo do país também teme que o domínio do Hamas - que é um movimento islâmico - em Gaza promova a Irmandade Muçulmana, o principal grupo de oposição ao presidente Hosni Mubarak.
O Egito também teme que a situação em Gaza possa dar um novo impulso a militantes islâmicos egípcios, que são duramente reprimidos pelas forças de segurança egípcias.