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25 de junho, 2007 - 17h24 GMT (14h24 Brasília)

Andrea Wellbaum
Enviada especial a Sharm el-Sheikh

Mensagem mostra crueldade do Hamas, diz Israel

Uma porta-voz do governo de Israel, Miri Eisen, disse nesta segunda-feira que a divulgação, por militantes do grupo palestino Hamas, de uma mensagem de áudio do soldado israelense Gilad Shalit, capturado há um ano, mostrou como o Hamas "pode ser cruel".

"Este é o mesmo Hamas que fazia parte do governo há duas semanas. Este é o Hamas que precisa ser isolado, é o Hamas que representa os extremistas", afirmou Eisen.

A porta-voz fez as declarações em Sharm el-Sheikh, balneário egípcio onde ocorre nesta segunda-feira uma reunião dos líderes de Israel (Ehud Olmert), Egito (Hosni Mubarak) e Jordânia (rei Abdullah) com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Convocada pelo presidente egípcio, a reunião tem os objetivos de discutir a crise nos territórios palestinos e fortalecer o novo governo instalado por Abbas, sem a participação do Hamas.

Shalit foi capturado no dia 25 de junho de 2006 em uma operação conjunta do Hamas e dois outros grupos militantes, que entraram em Israel a partir da Faixa de Gaza. A captura detonou uma grande operação militar israelense em Gaza, que resultou nas mortes de mais de cem palestinos em quatro semanas.

'Prioridade'

A mensagem atribuída a Gilad Shalit foi colocada no site de um braço armado do Hamas, Brigadas Ezzedine al-Qassam. Na gravação, o soldado israelense diz lamentar "a falta de interesse" de Israel na sua situação e pede que o governo aceite as exigências dos militantes para que ele seja libertado.

"Gilad Shalit é uma prioridade para o Estado de Israel e para o primeiro-ministro. Não ignoremos o fato de que hoje é a primeira vez que uma organização terrorista que mantém refém um soldado seqüestrado há um ano dá algum sinal para todos nós", disse Miri Eisen.

A porta-voz acrescentou ainda que o Hamas não vai "definir a agenda" de Israel.

"Hoje, temos aqui (em Sharm el-Sheikh) o encontro de quatro líderes moderados, ouçamos as vozes da moderação hoje e não vamos ser ofuscados por uma organização terrorista."

Saúde deteriorada

A gravação atribuída a Gilad Shalit também afirma que sua saúde está se deteriorando e que ele precisa de atendimento médico.

"Sou Gilad, filho de Noam Shalit. Mãe, pai, irmão e irmão, meus amigos (...) - envio a vocês o meu amor e sinto muita falta de todos vocês. Há um ano, fui capturado e minha saúde está se deteriorando. Preciso de hospitalização prolongada", dizia a voz na gravação.

Não foi possível verificar a autenticidade da gravação, mas o pai do soldado capturado indicou que a voz era de Gilad.

Abu Mujahid, o porta-voz dos Comitês de Resistência Popular (um dos três grupos ligados ao Hamas que capturaram Shalit), disse que o soldado está em "boa forma" e que está sendo tratado segundo as instruções islâmicas "para tratamento de prisioneiros de guerra".

A organização israelense de defesa dos direitos humanos B'Tselem acusou o grupo que capturou Shalit de crimes de guerra.

"As circunstâncias de sua captura e o comportamento de seus captores indicam que ele é um refém. A lei humanitária internacional proíbe a captura e manutenção de uma pessoa pela força para compelir o inimigo a atender a certas exigências", afirmou o grupo.

Em uma cerimônia perto do Parlamento israelense (Knesset) para marcar o aniversário do seqüestro, o pai de Gilad Shalit, Noam, pediu que o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert garantisse a libertação de seu filho ou renunciasse ao cargo.