23 de junho, 2007 - 06h17 GMT (03h17 Brasília)
Hugh Schofield
O ex-presidente francês Jacques Chirac se recusou a testemunhar em uma investigação sobre o chamado caso Clearstream.
Os dois juízes responsáveis pelo caso querem saber se Chirac ordenou, três anos atrás, que o serviço de inteligência fizesse uma investigação secreta sobre seu sucessor, Nicolas Sarkozy, a respeito de alegações de corrupção - que foram depois refutadas.
Chirac disse que não vai testemunhar porque ainda está protegido pela imunidade presidencial.
O ex-presidente citou a Constituição francesa ao afirmar que os atos de um presidente no exercício do cargo não são suscetíveis a procedimentos judiciais.
Chirac disse, no entanto, que caso seja solicitado a testemunhar a respeito de questões do período anterior ao seu governo - uma referência às alegações de má conduta financeira quando era prefeito de Paris - irá responder às perguntas com prazer.
O caso
O caso Clearstream sacudiu a França no ano passado. As alegações eram de que importantes políticos e empresários se beneficiaram de comissões ilegais pagas como parte de um grande contrato de venda de armas para Taiwan.
Já foi provado que essas acusações eram falsas.
Mas o interesse sobre o caso permanece porque entre os nomes citados na lista falsa de contas no Banco Clearstream de Luxemburgo está o do atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, que na época era ministro do Interior.
As alegações a respeito do ex-presidente Chirac não são de que ele tivesse qualquer envolvimento com o esquema, mas sim de que, depois de saber do caso, ele possa ter acionado uma investigação para verificar se as acusações contra Sarkozy eram verdadeiras.
Alega-se que Chirac estaria tentando encontrar algo que pudesse comprometer Sarkozy.
Na época, as relações entre os dois estavam tensas, e Chirac não parecia ser favorável à candidatura de Sarkozy à presidência.