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21 de junho, 2007 - 04h58 GMT (01h58 Brasília)

Talebã 'planeja aumentar número de ataques em Cabul'

Um porta-voz do Talebã disse em entrevista à BBC que o grupo insurgente está modificando suas táticas no Afeganistão para aumentar o número de ataques na capital, Cabul.

"É verdade que estamos aumentando a pressão sobre Cabul, porque Cabul é a capital, e as forças estrangeiras estão concentradas lá", disse o porta-voz do grupo, Zabiyullah Mujahed, em entrevista ao jornalista John Simpson.

Mujahed disse ainda que "a independência e a liberdade" do país são os objetivos do Talebã e que o grupo está repetindo no Afeganistão as mesmas táticas usadas por insurgentes no Iraque.

O porta-voz reconheceu que as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se infiltraram no Talebã e mataram alguns de seus líderes, mas disse que agora o grupo está se recuperando.

Mujahed afirmou que é crescente o número de voluntários para realizar ataques suicidas. "Muitas pessoas estão vindo para o nosso centro de ataques suicidas como voluntárias", disse.

No domingo, a explosão de uma bomba perto de um ônibus da polícia em Cabul deixou mais de 20 mortos, no pior ataque na capital desde 2001.

As declarações do porta-voz foram feitas um dia depois de o ministro da Defesa do Afeganistão, Abdul Rahim Wardak, ter afirmado, na quarta-feira, que o apoio ao Talebã estava diminuindo.

"No momento, você vê que a maré está virando a nosso favor, o Talebã não conseguiu executar a sua planejada ofensiva de primavera, não conseguiu isolar Cabul, nem bloquear estradas ou expandir sua área de influência", disse o ministro à BBC.

Apesar do novo foco do Talebã ser Cabul, continuam a ser registrados confrontos violentos no sul do país.

Na quarta-feira, três soldados canadenses das forças da Otan foram mortos pela explosão de uma bomba na província de Kandahar. O Talebã reivindicou a autoria desse ataque.

Somente neste ano, cerca de 90 soldados estrangeiros foram mortos no Afeganistão, a maior parte deles em combates no sul do país.

Segundo correspondentes, o sul do Afeganistão vive neste ano a pior onda de violência desde 2001, quando o regime do Talebã foi derrubado por uma coalizão internacional.