21 de junho, 2007 - 09h35 GMT (06h35 Brasília)
Como é bom ser governado por um líder que faz, não rouba nem deixa roubar, vai de metrô para o trabalho, não diz besteira nem o politicamente correto, não decide com base em pesquisa, não puxa o saco nem deixa puxar o dele, não é político e nem mesmo tem base partidária.
Michael Blooomberg agora nem tem partido. Esta semana deu uma banana para os republicanos.
Ele é meu sexto prefeito em Nova York e continuaria votando nele o resto da vida. Infelizmente a lei não permite mais um mandato.
Com exceção de Koch, os prefeitos anteriores quase enterraram esta cidade. Giulliani leva a fama de salvar Nova York do crime na década de noventa e do desespero depois do 11 de setembro.
Ele merece crédito pela liderança nos quatros meses finais do mandato, depois dos ataques às torres, mas quando deixou o cargo Nova York estava de novo à beira de outra crise financeira, endividada, desempregada e racialmente tensa.
Bloomberg se elegeu graças a seus bilhões, mas herdou um pepino sem um dia de experiência em administração pública e suas primeiras decisões, naquela época, foram controvertidas e impopulares.
Proibiu cigarros em bares e restaurantes e aumentou o imposto predial em 18%.
Seu índice de aprovação caiu de quase 70% para 20%, e o fim de sua jovem carreira política estava à vista.
Ele não só deu a volta por cima como já devolveu boa parte dos impostos, a cidade está com dinheiro de sobra nos cofres e com crédito AA na praça.
Bem munido para brigar com a indústria de alimentos e contra a obesidade, Bloomberg baniu gordura trans dos restaurantes.
Tornou-se o inimigo público número 1 da indústria de armas por causa de seus processos contra vendedores que não cumprem as leis e pela criação de uma associação de mais de duzentos prefeitos para aprovar leis anti-armas impassáveis em Washington.
Seu projeto da Nova York verde é um dos mais radicais do mundo e, contrariando fórmulas financeiras conservadoras, criou o maior plano habitacional do país para a população de baixa renda. Seus 165 mil apartamentos dariam para abrigar a população inteira de Atlanta.
Agora em setembro vai começar sua versão do bolsa-família inspirado no modelo mexicano Oportunidades.
Com dinheiro da iniciativa privada, inclusive do próprio bolso, 2.500 famílias vão receber US$ 5 mil por ano se cumprirem metas como filhos estudiosos, pais mais envolvidos nas decisões nas escolas, check-up médico, emprego em tempo integral.
O progresso destas 2.500 famílias vai ser comparado com o de outras 2.500, em iguais condições de pobreza. Se o sucesso dos bolsistas for comprovadamente superior, o projeto se tornará público.
Presidente Bloomberg? Infelizmente jamais.
Como ele mesmo diz, quem votaria num judeu baixinho, bilionário, com um divórcio nas costas e reputação de liberal?
Muita gente. Não para se eleger presidente, mas o suficiente para destruir as chances de Hillary Clinton ou de qualquer democrata em 2008, como Ralph Nader destruiu as de Al Gore em 2000 e Ross Perot as do Bush pai em 1992.
Meu querido prefeito, pelo amor de Deus....