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21 de junho, 2007 - 13h09 GMT (10h09 Brasília)

Em poema, preso de Guantánamo ironiza 'protetores da paz'

A Universidade de Iowa Press lançará até o fim deste ano uma coletânea reunindo 22 poemas de 17 presos de Guantánamo.

Os versos de Poems from Guantánamos: The Detainees Speak ("Poemas de Guantánamo: Os Prisioneiros Falam", em tradução livre) foram inicialmente "escritos em pasta de dente, ou riscados com bolinhas de gude em copos de plástico", segundo a editora.

Um dos poemas, traduzido livremente abaixo, foi divulgado pela editora.

O autor, Jumah al Dossari, é um prisioneiro de 33 anos do Bahrain, que está em Guantánamo há mais de cinco – desde 2003 em regime solitário. Autoridades americanas dizem que ele já tentou o suicídio 12 vezes desde que foi preso:

poema da morte (tradução livre)
Jumah al Dossari

Tome meu sangue
Tome minha mortalha e
Os restos de meu corpo.
Tire fotografias de meu cadáver no túmulo,
solitário.

Mostre-os ao mundo,
Aos juízes e
Às pessoas de consciência,
Mostre-os aos homens de princípio e os
justos

E deixe-os sentir o peso da culpa diante
do mundo,
Dessa alma inocente.
Deixe-os sentir o peso diante de suas
crianças e diante da história
Desta alma estragada, sem pecados,
Desta alma que sofreu nas mãos
dos 'protetores da paz'.