19 de junho, 2007 - 20h15 GMT (17h15 Brasília)
O enviado britânico para o Paquistão, o alto comissário Robert Brinkley, expressou "grande preocupação" nesta terça-feira com os comentários de um ministro paquistanês a respeito da nomeação do escritor Salman Rushdie como cavaleiro da Coroa britânica.
As declarações do ministro paquistanês dos Assuntos Religiosos, Mohammad Ejaz uh-Haq, foram consideradas um incentivo a atentados suicidas. Ao comentar a nomeação de Rushdie, o ministro disse que "se alguém comete um atentado suicida para proteger a honra do profeta Maomé, seu ato é justificado".
Salman Rushdie foi condecorado pela rainha Elizabeth 2ª na semana passada. Brinkley negou que a nomeação do escritor tenha sido uma tentativa de insultaro Islã.
O livro Os Versos Satânicos, escrito por Rushdie, provocou polêmica no mundo islâmico em 1989. Um fatwa (decreto) do Irã pediu a morte do escritor.
Relações tensas
Brinkley foi convidado nesta terça-feira para uma reunião no Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, na capital Islamabad.
Um porta-voz do enviado britânico disse que Brinkley "deixou clara a grande preocupação sobre o que o ministro para assuntos religiosos supostamente falou".
"O governo britânico é bastante claro ao declarar que nada pode justificar um atentado suicida", afirmou o porta-voz.
Uma porta-voz do governo paquistanês afirmou que Brinkley foi convidado para que o país expressasse "a total falta de sensibilidade" da Grã-Bretanha ao condecorar Salman Rushdie.
Brinkley disse que o encontro serviu para os dois países buscarem um entendimento mútuo.
A correspondente da BBC em Islamabad, Barbara Plett, afirma que a disputa diplomática é tensa, mas que, por enquanto, está restrita a círculos oficiais.
'Cadáver odiado'
O Parlamento do Paquistão aprovou uma resolução na segunda-feira em que manifestou condenação à condecoração.
Alguns manifestantes foram às ruas protestar, mas em pequenos números.
Conservadores iranianos criticaram nesta terça-feira a decisão da rainha Elizabeth 2ª de condecorar o escritor.
"Salman Rushdie tornou-se um cadáver odiado que não pode ser ressuscitado por nenhuma ação", afirmou o parlamentar Mohammad Reza Bahonar.
"Esta ação da rainha britânica de condecorar Salman Rushdie, o apóstata, não é uma decisão sábia."