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17 de junho, 2007 - 15h58 GMT (12h58 Brasília)

Caroline Wyatt
de Languedoc, França

Grupo francês diz que vai 'derramar sangue' contra preço do vinho

Um obscuro grupo apresentou um ultimato ao governo da França que vence neste fim de semana: que aumentem o preço do vinho ou enfrentem derramamento de sangue.

A ameaça é assinada pelo Crav, sigla em francês da União para a Ação Viticultora, da região de Languedoc, no sul francês, que teria divulgado uma mensagem gravada em vídeo e endereçado a fita ao presidente francês, Nicolas Sarkozy.

No filme, vêem-se sete supostos produtores de vinho, à noite, com os rostos cobertos por máscaras ninja pretas, lendo a ameça de "derramar sangue", caso Sarkozy não tome providências rápidas.

O grupo aproveitou para fixar o fim do prazo justamente no dia em que a última revolta dos produtores de vinho da região completa cem anos.

O levante acabou com seis manifestantes mortos a tiros pelo Exército da França.

Recentemente, o Crav provou ser capaz de usar violência para atingir os seus objetivos. Vários supermercados locais que vendiam vinhos estrangeiros foram alvo de bombas caseiras, enquanto outros foram pichados pelo Crav.

Tiros e seqüestro

O grupo também abriu fogo e seqüestrou pelo menos um caminhão que transportava vinho estrangeiro. Teme-se que a violência possa ser redobrada, caso o governo não leve as exigências do grupo a sério.

Embora nenhum produtor de vinho admita publicamente integrar o Crav, muitos concordam com as exigências, ainda que não admirem os métodos empregados.

François Thiebaud, por exemplo, diz estar desesperado por causa da queda nos preços do vinho francês.

Segundo ele, muitos outros produtores também lutam para sobreviver atualmente.

"Trabalhamos no vermelho. Perdemos entre 40% e 50% da nossa renda por causa da queda nos preços e ainda levamos uma mordida grande dos intermediários", disse Thiebaud.

Muitos estariam cobrando benefícios sociais para completar o orçamento familiar no fim do mês. O próprio Thiebaud diz só poder manter os seus vinhedos, porque a mulher dele tem outro emprego.