06 de junho, 2007 - 16h37 GMT (13h37 Brasília)
Rogerio Wassermann
Enviado especial a Berlim
O presidente do conselho executivo da siderúrgica alemã ThyssenKrupp, Karl-Ulrich Köhler, afirmou que aproveitou um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira para reclamar de entraves burocráticos que estariam atrasando a concessão de licenças ambientais para obras no Brasil.
A ThyssenKrupp é uma das empresas envolvidas na construção de um complexo siderúrgico no bairro de Santa Cruz no Rio de Janeiro. De acordo com Köhler, a obra representa um investimento de 3 bilhões de euros (cerca de R$ 7,8 bilhões).
O executivo alemão afirma que a empresa trabalha com a previsão de que a nova siderúrgica comece a funcionar em 2009, mas o cronograma ainda depende de aprovações ambientais que, na opinião de Köhler, estão demorando.
"É um investimento muito importante, que criaria muitos empregos", afirmou o alemão. "Não queremos que haja problemas."
Empregos
Segundo Köhler, o projeto já teria sido responsável pela contratação de 18 mil pessoas e mais 3 mil empregos serão gerados quando o complexo estiver pronto.
O executivo da ThyssenKrupp disse que Lula se comprometeu a verificar a reclamação de Köhler junto aos órgãos responsáveis.
Recentemente, o Ministério do Meio Ambiente sofreu pressão de setores do próprio governo e da iniciativa privada para conceder licenças para a construção de obras consideradas vitais para viabilizar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Em abril, a ministra Marina Silva anunciou mudanças na estrutura do Ibama, que manteve a responsabilidade de conceder licenças ambientais, mas deixou de administrar as unidades de conservação espalhadas pelo país.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, que participou do encontro, negou que a burocracia seja um problema para os investimentos no Brasil.
Segundo ele, os próprios executivos da ThyssenKrupp reconhecem que o que vem travando alguns licenciamentos ambientais do projeto em Santa Cruz é a greve dos funcionários do Ibama, que já dura quase um mês.
O ministro reconheceu, porém, que a greve pode prejudicar os investimentos no Brasil.
Investimento
O presidente Lula está na Alemanha para participar como convidado do encontro do G8, que reúne as sete nações mais industrializadas do mundo e a Rússia, na cidade de Heiligendamm.
Lula chegou a Berlim na terça-feira, após visita oficial à Índia. A chegada do presidente foi antecipada em dois dias porque a viagem que faria ao Marrocos, antes de chegar à Alemanha, foi cancelada.
Na manhã desta quarta, o presidente se encontrou com diversos empresários alemães em Berlim. Além do executivo da ThyssenKrupp, Lula se reuniu também com o presidente de operações da Volkswagen para a América do Sul, Francisco Garcia Sanz.
Durante o encontro com Lula, a Volkswagen anunciou um investimento de R$ 2,5 bilhões nos próximos seis anos no Brasil.