04 de junho, 2007 - 18h37 GMT (15h37 Brasília)
Pablo Uchoa
Enviado especial a Nova Déli
A Petrobras e a estatal indiana de petróleo e gás, ONGC, vão investir US$ 2 bilhões para iniciar a exploração conjunta de áreas de petróleo no Brasil e na Índia.
Três blocos hoje pertencentes à ONGC serão explorados na costa leste da Índia e outros três no Maranhão, em Sergipe e Alagoas e em Santos, esclareceu o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, que está em Nova Déli, onde assinou o memorando de entendimento com a empresa parceira.
Gabrielli disse que cada país receberá metade do total de US$ 2 bilhões. O tema foi discutido em uma reunião técnica no hotel Taj Mahal Singh, onde se hospedam os empresários que acompanham o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita oficial ao país.
Além disso, a Petrobras vai participar, ainda este ano, de leilões de concessão de novas áreas, que também seriam exploradas em conjunto com a ONGC.
Etanol
O presidente da estatal brasileira também afirmou que existe interesse em cooperar com a Índia na área de etanol.
A Petrobras poderia ajudar a elevar a produção indiana de etanol atuando na parte de logística. Já a tecnologia e os serviços necessários para concretizar o objetivo representariam um filão para empresas brasileiras do ramo.
A ajuda brasileira também poderia ser útil à Índia para melhorar a produtividade da indústria de etanol do país, hoje cerca de 30% menor que a brasileira.
Na Índia, a mistura de etanol na gasolina é de apenas 5%, e mesmo assim esse percentual só vale em alguns Estados do país.
O governo indiano já expressou desejo de elevar para 10% a proporção, além de estendê-la para todo o país.
Na reta final da viagem de Lula a Nova Déli, especulou-se que um acordo na área de biocombustíveis poderia ser assinado entre os dois países. Mas o tema, em estágio inicial de discussões, ficou de fora.
Potencial
Ainda assim, o presidente Lula reiterou diversas vezes na capital indiana – inclusive durante um fórum de empresários – que os dois países têm enorme potencial para colaborar na área.
"Se depender do meu entusiasmo, o mundo inteiro vai entrar na era do biocombustível", disse Lula nesta segunda-feira, antes de deixar o hotel para um jantar com o presidente indiano, Abdul Kalam. "O mundo inteiro vai entrar. Para mim, é irreversível", acrescentou o presidente.
Ao responder a uma questão sobre a capacidade do Brasil de fornecer etanol em volume suficiente para atender à demanda mundial, Lula procurou esclarecer o assunto e fez uma brincadeira com um jornalista mineiro.
"O Brasil não quer fornecer para todo mundo, o Brasil quer incentivar que os países que são pobres tenham condição de plantar."
"Imagine se o mundo inteiro começar a utilizar 10% de biodiesel junto com o diesel? O que você não vai produzir lá em Minas Gerais, na terrinha?"