01 de junho, 2007 - 12h36 GMT (09h36 Brasília)
Um tribunal indiano rejeitou o apelo feito por um grupo de aeromoças que foram impedidas de voar por estarem acima do peso.
O tribunal decidiu que a companhia aérea estatal Indian Airlines tem o direito de impedir que as aeromoças embarquem nesses casos em nome da segurança do vôo e da crescente competição no setor.
As aeromoças argumentaram que a medida era humilhante.
A companhia aérea deu início a um sistema de avaliar as aeromoças baseada em sua altura e peso no ano passado.
O tribunal em Nova Déli decidiu em favor da empresa dizendo que com as aeronaves voando a altitudes mais elevadas, a segurança dos passageiros depende da habilidade da tripulação para fazer o seu trabalho.
"Nenhuma companhia aérea pode se dar ao luxo de ser negligente em nenhum departamento, mesmo que seja a personalidade dos membros da tripulação ou seu condicionamento físico", disse a juiza Rekha Sharma.
"Se, por perseverança, o caramujo pode chegar à Arca (de Noé), porque estas distintas senhoras não podem virar a balança."
Debate crescente
A juiza também rejeitou a tese das aeromoças de que a política da companhia aérea em relação a seu peso era "um insulto à sua feminilidade".
"Eu não entendo como isso, de alguma forma, é injusto, pouco razoável e um insulto para a femininidade delas se é pedido para que controlem seu aumento de peso", disse ela.
O correspondente da BBC em Nova Déli, Sanjoy Majumder, disse que o caso é parte de um debate que está sendo realizado em toda a sociedade indiana, da indústria do entretenimento às companhias aéreas, que questiona se os indianos descartando ideais de beleza e aparência tradicionais em favor de um visual de magreza mais ocidentalizado.
Setor competitivo
O setor aéreo na Índia cresceu rapidamente na última década e novas companhias privadas pasaaram a contratar aeromoças jovens e esguias, que costumam usar saias curtas e sapatos de salto alto.
Já a tripulação da Indian Airlines usa um sari, um tradicional traje indiano, e pode trabalhar em aviões até os 58 anos de idade.
O grupo de aeromoças que levou o caso para a Justiça alega que esta é uma tentativa de substituí-las por mulheres mais jovens.
Uma delas foi proibida de voar depois de 25 anos trabalhando em aviões, apesar de ter apenas dois quilos a mais do que o limite determinado pela Indian Airlines.