29 de maio, 2007 - 22h16 GMT (19h16 Brasília)
Bruno Garcez
De Washington
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, escolheu o ex-representante do Comércio americano Robert Zoellick para ser o novo presidente do Banco Mundial (Bird), de acordo com informações de uma alta autoridade do governo americano.
O anúncio oficial deverá ser feito por Bush na quarta-feira. A expectativa é de que a diretoria do Bird aceite a indicação.
Zoellick irá subsituir a Paul Wolfowitz. A queda de Wolfowitz foi provocada pelo escândalo ligado à promoção e o aumento dado à sua namorada, Shaha Riza. Ele se despede do cargo no dia 30 de junho.
O atual secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse que a indicação de Zoellick foi bem recebida por outros países.
Atualmente, Zoellick vinha atuando como executivo da consultoria Goldman Sachs. Ele exerceu o cargo de representante comercial americano entre 2001 e 2005.
Duro negociador
Durante sua gestão como representante comercial, Zoellick se mostrou um duro negociador.
Em 2005, durante a disputa entre americanos e brasileiros por conta de subsídios americanos sobre o algodão, Zoellick chegou a afirmar que o Brasil poderia sofrer retaliações caso o governo reivindicasse junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) o direito de impor sanções a Washington.
Neste período, os Estados Unidos assinaram acordos comerciais com o Chile e outras seis nações do Caribe e da América Central. Ele também fechou tratados semelhantes com Austrália, Cingapura e Marrocos.
Ainda como representante comercial, Zoellick promoveu as negociações que permitiram o ingresso da China e de Taiwan na OMC.
Após sua passagem pela área comercial, ele se tornou subsecretário de Estado americano, de fevereiro de 2005 a junho de 2006.
Zoellick também teve uma destacada passagem pelo governo do pai de George W. Bush.
Neste período, ele foi o principal oficial do Departamento de Estado envolvido nas negociações do Nafta, o tratado de livre comércio do Atlântico do Norte, e na Rodada Uruguai.
Diversos países, entre eles o Brasil, haviam manifestado interesse em que o presidente do Bird pudesse vir de um outro país, em vez de ser uma indicação americana.
Mas o presidente Bush já havia afirmado sua intenção de nomear um americano para o cargo.
Pelo acordo vigente, os Estados Unidos indicam o presidente do Bird, e os europeus, o líder do Fundo Monetário Internacional (FMI).