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19 de maio, 2007 - 20h47 GMT (17h47 Brasília)

Stephen Robb
De Cannes

Moore teme que seu novo filme seja apreendido nos EUA

Michael Moore lançou seu mais recente polêmico documentário em Cannes, dizendo temer que o filme será apreendido pelas autoridades americanas antes de ser visto no país.

Sicko, em que o diretor ataca o sistema de saúde dos Estados Unidos, teve sua estréia no festival de cinema francês.

Mas o Tesouro americano está investigando se Moore desrespeitou o embargo comercial contra Cuba onde o documentário foi filmado.

Moore disse aos repórteres que teve que enviar uma cópia a uma país não-identificado no caso do original ser confiscado.

Multa ou prisão

O Tesouro americano disse em uma carta ao diretor que não há registro de uma autorização de viagem a Cuba e que Moore poderia ser multado ou preso.

Uma cópia de Sicko foi enviada para fora dos Estados Unidos menos de 24 horas após ter sido informado sobre a investigação, contou o diretor.

Os seus advogados lhe alertaram que o original poderia ser confiscado, ele disse aos jornalistas.

O documentário inclui sequências em que Moore leva uma equipe de resgate que trabalhou durante os ataques de 11 de setembro em Nova York para um hospital de Cuba e perto da base militar de Guantánamo.

O grupo sofre de doenças que teriam uma ligação com o trabalho de limpar os destroços do World Trade Center.

"O objetivo não era ir a Cuba, mas, sim, ir para o território americano, para Guantánamo, para que os integrantes das equipes de resgate recebessem o mesmo tratamento médico que os detentos da Al-Qaeda recebem", disse Moore.

"Nunca nenhum cineasta deveria estar falando sobre prisão ou multas ou para onde ela ou ele devem viajar."

Em uma carta com data de 2 de maio, o Tesouro americano deu um prazo de 20 dias úteis para que Moore informasse os detalhes de sua viagem a Cuba, inclusive quem foi junto com ele e o porquê.

"Nós nunca vamos ter uma mudança real nos Estados Unidos se a população não ver que isso só acontecerá se as pessoas levantarem da cadeira do cinema e fizerem algo."

O documentário cita os sistemas de saúde da Grã-Bretanha, França e Canadá. No filme, Moore recomenda que os Estados Unidos deveriam adotar os melhores elementos de outros sistemas de saúde estrangeiros.

"O que deveríamos fazer como americanos é o que sempre fazemos – apenas pegar o que cada um de vocês está fazendo certo e colocar em um único sistema para chamar de sistema americano."

O cineasta ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2004, com Fahrenheit 11 de setembro, e o Oscar em 2002, com Tiros em Columbine.