19 de maio, 2007 - 17h51 GMT (14h51 Brasília)
Militantes atacaram uma base militar em Basra, no sul do Iraque, onde estava o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair.
Uma série de explosões foi ouvida e o prédio da base chegou a tremer, mas não houve feridos.
O premiê britânico chegou na manhã deste sábado a Bagdá para uma visita-surpresa, a sétima ao país e provavelmente a última como primeiro-ministro – ele deixa o cargo no dia 27 de junho.
Ao chegar em Bagdá, Blair escapou de outro ataque na Zona Verde – área de segurança máxima que abriga as sedes do governo do país e embaixadas estrangeiras.
Autoridades locais, porém, disseram que não havia indicações de que os ataques tivessem Blair como alvo.
Pouco após a chegada do primeiro-ministro na capital britânica, três mísseis Katyusha foram disparados por volta de 8h30 do horário local (1h30 de Brasília), a cerca de 1,5 quilômetro de onde Blair estava reunido com líderes iraquianos, segundo o correspondente da BBC Paul Wood.
O ataque provocou a morte de um guarda de segurança.
"Ataques com morteiros e ataques terroristas estão ocorrendo todos os dias, esta é a realidade. A questão é, o que vamos fazer diante desses ataques?", disse Blair.
"Esses ataques são feitos por uma minoria de pessoas que querem destruir os progressos feitos aqui. E a resposta é não nos dobrarmos a eles", afirmou.
'Trabalho brilhante'
Em discurso aos soldados britânicos, Blair disse que eles estavam fazendo um "trabalho brilhante".
"Esta será a minha última chance de agradecê-los pelo trabalho que fizeram aqui", falou às tropas.
O premiê se reuniu também com o presidente iraquiano, Jalal Talabani, e com o primeiro-ministro do país, Nouri Maliki.
Blair disse estar seguro de que o apoio britânico ao governo do Iraque continuará após sua saída do governo.
"Eu não tenho dúvidas de que a Grã-Bretanha permanecerá leal em seu apoio ao povo iraquiano", disse Blair.
Ele afirmou que há "sinais reais de mudança e progresso" no Iraque apesar da situação da segurança no país.
"Há coisas que, como vocês saberão, estão ocorrendo em diferentes partes do Iraque e que nos dão alguma razão para esperança", disse Blair.
Ele afirmou: "É importante que continuemos a tomar qualquer ação necessária contra a Al-Qaeda ou contra qualquer um que use a violência e o terrorismo para prejudicar o progresso do país".
Visita a Bush
Blair viajou ao Iraque após ter visitado o presidente americano, George W. Bush, em Washington.
Espera-se que o primeiro-ministro trabalhe pela reconciliação entre sunitas e xiitas iraquianos.
Líderes sunitas e xiitas vêm se reunindo regularmente com as autoridades iraquianas em busca de soluções para a violência sectária no país.
Segundo o porta-voz de Blair, ele quer "aproveitar o momento da política iraquiana para criar um espaço para uma paz de longo prazo".
"O que o primeiro-ministro pretende destacar com esta visita é a ligação fundamental entre a política e a segurança", disse o porta-voz.
Governo manchado
O governo de Blair foi manchado por acusações de que ele levou o país a uma guerra ilegal.
Uma recente pesquisa de opinião realizada pelo jornal The Observer verificou que 58% dos britânicos consideram a invasão ao Iraque um erro.
"Tomamos uma decisão que sabíamos que seria difícil. Eu acreditava então, e acredito agora, que foi a decisão correta", disse Blair durante sua visita a Washington.
Em uma entrevista veiculada neste sábado, o ex-presidente americano Jimmy Carter criticou Blair por seu apoio "cego" a Bush e à guerra no Iraque.