16 de maio, 2007 - 20h30 GMT (17h30 Brasília)
O primeiro longa em inglês do cineasta chinês radicado em Hong Kong, Wong Kar-wai, My Blueberry Nights, abriu nesta quarta-feira a 60ª edição do Festival de Cinema de Cannes.
Em sua edição histórica de aniversário, o festival não conta com brasileiros na principal mostra competitiva. Mas a produção cinematográfica brasileira corre por fora nas listas das outras seções do festival e com Limite, clássico mudo de Mário Peixoto que será exibido na seção Cannes Classic.
Além das celebridades que sempre aparecem pela Croisette para promover blockbusters no festival, Cannes contará com a presença de velhos premiados.
Junto com Wong Kar-wai, que foi presidente do júri em 2006, concorrem pela Palma de Ouro os irmãos Ethan e Joel Coen, com seu novo longa No Country for Old Men, Emir Kusturica com Promise me This, Quentin Tarantino com Death Proof, e Gus Van Sant com Paranoid Park.
O mexicano Carlos Reygadas com Silent Light e o novo thriller de David Fincher, Zodiac, também concorrem ao principal prêmio do festival.
Lotado
Para sua edição de aniversário, Cannes promete o tapete vermelho lotado de celebridades, além de diretores já premiados com a Palma de Ouro de volta à disputa.
Jude Law e Norah Jones, estrelas do longa de Wong Kar-wai, já chegaram ao festival e fizeram a festa dos fotógrafos no Palais.
Entre as estrelas mais aguardadas estão George Clooney, Brad Pitt, Julia Roberts e Matt Damon, que promovem o filme 13 Homens e um Novo Segredo, fora de competição.
O polêmico Michael Moore não concorre desta vez, mas também vai promover seu novo documentário, Sicko, sobre o sistema de saúde dos Estados Unidos.
Bono, da banda irlandesa U2, também deve passear pelo tapete vermelho do Palais, para promover o documentário U2 3D.
Mostras paralelas
Os brasileiros marcam presença no festival com dez filmes espalhados por diversas mostras em Cannes.
A Via Láctea, por exemplo, abre a Semana da Crítica. O segundo longa da diretora Lina Chamie foi rodado pelas ruas de São Paulo.
Sandra Kogut encerra a Quinzena dos Realizadores com Mutum, filme baseado em Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa.
Olhar o Estado do Mundo, que também participa da Quinzena dos Realizadores, tem o brasileiro Vicente Ferraz dirigindo um de seus seis episódios.
O Banheiro do Papa/El Banho del Papa foi dirigido por dois uruguaios, Enrique Fernández e César Charlone (diretor de fotografia de Cidade de Deus), e participa da mostra Un Certain Regard. O filme é produção da O2, de Fernando Meirelles.
Também estão inscritos curtas como Sabá, de Thereza Menezes e Gregório Graziozi, que está no CinéFoundation (para produções universitárias); Saliva, de Esmir Filho, na Semana da Crítica; e Um Ramo, de Juliana Rojas e Marco Dutra, também na Semana da Crítica.
The Last 15 é o curta de Antonio Campos, brasileiro que mora nos Estados Unidos, filho de Lucas Mendes, que participa da seleção oficial de curtas e pode ganhar a Palma de Ouro.
Walter Salles também participa do festival. Para comemorar os 60 anos de Cannes, o presidente Gilles Jacob convidou 35 diretores para realizar curtas de até três minutos com o tema "a experiência de ir ao cinema".
O resultado foi Chacun Son Cinema ("Cada um com Seu Cinema", em tradução livre), com um dos episódios dirigidos por Salles.