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08 de maio, 2007 - 22h36 GMT (19h36 Brasília)

Morales diz confiar no 'diálogo' com a Petrobras

O presidente boliviano, Evo Morales, disse nesta terça-feira acreditar que o impasse em torno da venda de duas refinarias da Petrobras na Bolívia será resolvido por meio do diálogo.

"Estou convencido de que com países vizinhos, como o Brasil, jamais será necessário apelar a arbitragem internacional", disse o presidente boliviano, no Palácio Quemado, em La Paz. "Certamente haverá um entendimento, isso não é um problema, só falta aprofundar o diálogo."

Morales afirmou também que a proposta enviada pelo Brasil para a venda das refinarias está em análise. "Nas próximas horas, o ministro Carlos Villegas (dos Hidrocarbonetos) dará a resposta, para que o diálogo continue", disse.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o impasse nesta terça-feira, afirmando que não há problemas em a Petrobras vender as duas refinarias que tem na Bolívia, desde que o governo boliviano pague "o preço justo".

"Se não for pago o preço justo, vamos buscar os nossos direitos", disse Lula.

Na segunda-feira, depois de receber a notícia de um decreto do governo boliviano que impede a Petrobras de comercializar e exportar petróleo cru reconstituído e gasolinas brancas, o presidente da estatal brasileira, José Sergio Gabrielli, disse que daria um prazo de dois ou três dias (até esta quarta-feira) para que se chegasse a um entendimento sobre a venda das duas refinarias.

A Petrobras enviou à estatal boliviana YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) uma proposta final de venda total das refinarias Gualberto Villarroel, localizada em Cochabamba, e Guillermo Elder, em Santa Cruz de la Sierra.

Caso não se chegasse a um acordo no prazo, disse Gabrielli, a Petrobras apelaria aos tribunais internacionais e à Justiça boliviana. Gabrielli disse ainda que o decreto representava uma “expropriação do fluxo de caixa” das unidades de refino da Petrobras.

Pelo decreto de Morales, complementar à nacionalização dos hidrocarbonetos, a comercialização e a exportação serão exercidas apenas pela YPFB.

Nesta terça-feira, o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, disse que o presidente Lula está "preocupado" com a decisão da Bolívia, mas vai aguardar os acontecimentos.

"Não agradou (ao presidente Lula) e não ajuda a relação entre os dois países", disse.

A Petrobras e o governo da Bolívia divergem em relação ao preço das refinarias. Na semana passada, após idas e vindas, o governo boliviano teria avaliado em US$ 60 milhões o preço das duas unidades. A proposta da empresa brasileira teria sido de US$ 136 milhões.

Para a Petrobras, ao reduzir para US$ 30,35 o preço do petróleo cru reconstituído, Morales cortou os rendimentos das refinarias. O mesmo produto no mercado internacional custa US$ 55 o barril.

Pelo mesmo decreto, Morales determina que as gasolinas brancas sejam vendidas a US$ 31,29 – também abaixo do preço internacional.

Hoje, a Petrobras processa nas suas refinarias o condensado, líquido associado ao gás natural, e diversos outros produtos, inclusive o cru reconstituído.

Também por isso, a medida boliviana afetará o fluxo de caixa das refinarias, tornando-as num negócio menos rentável.