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07 de maio, 2007 - 22h57 GMT (19h57 Brasília)

Tristana Moore
de Berlim

Alemanha se recusa a devolver busto de Nefertiti ao Egito

O chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, disse recentemente que o Ministério do Exterior de seu país enviaria cartas à Alemanha pedindo que o busto da rainha Nefertiti fosse devolvido ao Egito.

O busto atualmente está no Museu Altes de Berlim e o rosto da rainha que foi uma das governantes do Egito no século 14 a.C. tem um lugar de destaque na coleção.

O rosto de Nefertiti (cujo nome significa "uma bela mulher chegou") está em cartões postais da cidade e, a cada ano, milhares de visitantes passam pelo museu para ver a escultura.

O governo alemão se recusou a devolver o busto da rainha.

Financiamento

O busto de Nefertiti foi descoberto em Amarna, no Egito, por um arqueólogo alemão, Ludwig Borchardt, em dezembro de 1912. Acredita-se que o busto tenha sido feito por volta de 1350 a.C..

A escavação de 1912 foi financiada por um filantropo de Berlim, James Simon. O busto de Nefertiti foi, então, levado para a Alemanha seguindo um acordo fechado em 1913.

Segundo autoridades do museu e do governo da Alemanha, o busto é definitivamente propriedade alemã. O tesouro está em exibição para o público em Berlim desde 1923.

"É um risco enorme deixá-la viajar. Nunca poderíamos ter certeza de que ela chegaria em um bom estado. Existem questões graves de conservação. O busto é feito de pedra calcária e grossas camadas de gesso, é muito sensível a vibrações, choques e qualquer mudança na temperatura", diz Dietrich Wildung, curador do Museu Egípcio de Berlim.

"Especialistas têm suas reservas quanto a levar Nefertiti em uma longa viagem, e levamos estas preocupações a sério", disse o ministro da Cultura alemão, Bernd Neumann.

Campanha

Curiosamente, uma campanha chamada "Nefertiti Viaja" foi lançada na Alemanha por uma associação cultural de Hamburgo, a CulturCooperation.

Eles escreveram uma carta aberta ao ministro da Cultura pedindo que a estátua seja oferecida ao Egito, como um empréstimo.

"Nos últimos 95 anos, Berlim insistiu que o direito de propriedade sobre o busto estava claro. Os alemães alegam que Nefertiti se transformou em uma parte integral de nossa identidade cultural e que não estão preparados para se separar (do busto). E os egípcios dizem que ela é a Rainha Egípcia e parte da cultura deles", disse Lena Blosat, da CulturCooperation.

"Atualmente, mesmo a permissão para que o busto seja exibido no Egito por três meses é uma questão que os diretores do museu obviamente não estão dispostos a discutir", afirmou.

"Nefertiti não é um caso único. Existem muitos outros objetos de arte na Alemanha que têm um passado duvidoso e já está na hora de tratarmos deste assunto para que possamos ter um debate justo e honesto", disse Alexander Schudy, que trabalha para um grupo chamado Berlin Network for Development Co-operation (Rede para Desenvolvimento e Cooperação de Berlim).

Mas o curador do Museu Egípcio não mudou de idéia. "Acredito que Nefertiti é a melhor embaixadora do Egito. Ela deve ficar na Alemanha", diz Wildung.