04 de maio, 2007 - 15h59 GMT (12h59 Brasília)
A Câmara Superior do Parlamento da Rússia votou a favor da volta da foice e do martelo à Bandeira da Vitória, a bandeira oficial do Exército russo.
Os símbolos soviéticos foram removidos há dez anos ainda no governo de Boris Yeltsin.
Mas, em meio à nostalgia pelo período soviético, a decisão de restaurar a foice e o martelo foi aprovada no país.
Já no desfile da próxima semana em Moscou, em homenagem à vitória na Segunda Guerra Mundial, os russos vão novamente ter a versão soviética da Bandeira da Vitória, segundo o analista de política russa da BBC, Steven Eke.
Segunda Guerra
A bandeira vermelha, junto com a foice e o martelo e uma estrela branca, foram erguidas no Parlamento da Alemanha nazista no dia 2 de maio de 1945.
Milhões de pessoas no mundo todo conhecem a fotografia. Mas na Rússia, o significado da bandeira é mais profundo, diz Eke.
A vitória soviética contra o fascismo na Segunda Guerra Mundial permanece como um fato de significado quase religioso.
Existe uma feroz oposição na Rússia - nos níveis político e popular - ao questionamento do papel da União Soviética na derrota da Alemanha nazista.
Algo que ajuda a explicar a reação furiosa à recente mudança de lugar de um monumento de guerra da era soviética na Estônia.
Depois do voto, o chefe do comitê parlamentar de nacionalismo disse que a Bandeira da Vitória era um dos poucos símbolos que continuam a unir todos os russos.
Retirar a foice e o martelo, segundo ele, prejudicou as fundações da Rússia moderna.
Mas também existe, segundo Eke, nostalgia pela União Soviética.
O presidente Vladimir Putin descreveu o colapso do bloco comunista como "um dos maiores desastres geopolíticos do século vinte".
Nos últimos anos o hino nacional da era soviética tem sido novamente cantado - mas com a letra diferente.
Muitas estátuas e monumentos da época foram retirados dos depósitos.
Segundo Eke, autoridades e a imprensa descrevem o período soviético não apenas como uma época de repressão, campos de trabalho forçado e filas para comprar alimentos, mas como uma época de vitórias, progressos e orgulho.