30 de abril, 2007 - 09h00 GMT (06h00 Brasília)
A China está usando os Jogos Olímpicos de 2008 para reprimir dissidentes em nome da estabilidade, disse a organização de defesa de direitos humanos, Anistia Internacional.
Um relatório do grupo elogiou algumas reformas, mas criticou detenções sem julgamento na China e reforçou o controle sobre a mídia e a internet.
Segundo a Anistia Internacional, a China não manteve sua promessa de melhorar seu respeito aos direitos humanos no período que antecipa os jogos.
As autoridades chinesas ainda não fizeram nenhum comentário sobre o relatório.
Promessa
De acordo com o relatório, as Olimpíadas de agosto de 2008 são "um catalizador para uma repressão contínua a defensores dos direitos humanos, inclusive advogados que defendem os direitos e aqueles que tentam denunciar violações dos direitos humanos".
O documento diz ainda que há temores de que "sistemas abusivos", como o poder de prender um suspeito por até quatro anos sem julgamento, estão sendo usados para deter autores de pequenos crimes, mendigos e viciados em drogas, em um esforço para "limpar" Pequim para os jogos.
A Anistia Internacional elogiou a reforma das leis de pena de morte no país e a concessão de maior liberdade a jornalistas estrangeiros, mas disse que essas coisas ficaram à sombra da dura repressão de dissidência pacífica.
A organização pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) para que levante a questão junto às autoridades chinesas.
"O COI não pode desejar uma Olimpíada maculada por abusos dos direitos humanos - seja famílias despejadas à força de suas casas para dar lugar para instalações esportivas, ou um número crescente de ativistas pacíficos em prisão domiciliar", disse Catherine Baber, vice-diretora da Anistia Internacional para a região da Ásia-Pacífico.
Mas a diretoria executiva do COI vem dizendo que é uma organização de esportes e que não tem um papel político.
Anteriormente, a China havia rejeitado relatórios da Anistia Internacional, dizendo que cumpre todos os seus compromissos em relação a direitos humanos feitos quando se candidatou a realizar os jogos no país.
Durante sua candidatura em 2001, o comitê de Pequim prometeu que a vitória ajudaria a promover o desenvolvimento dos direitos humanos no país.