26 de abril, 2007 - 11h22 GMT (08h22 Brasília)
O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que "algumas pessoas" estão utilizando seu poder econômico para "interferir" nos assuntos internos russos.
"Usam-se slogans democráticos, mas o objetivo é o mesmo: obter vantagens unilaterais e benefícios pessoais a fim de garantir o próprio interesse", declarou Putin.
"O influxo de recursos do exterior sendo usado para interferir diretamente nos nossos assuntos internos está aumentando."
Sem citar nomes, Putin fez as acusações durante seu pronunciamento anual ao Parlamento. O presidente pediu uma legislação mais dura para combater o que chamou de "atividades extremistas".
Em outras ocasiões, autoridades russas acusaram grupos ocidentais de financiar organizações de oposição ao governo.
Disputa
As declarações foram dadas semanas após o magnata russo Boris Berezovsky, exilado em Londres, defender em entrevista a um diário londrino uma "revolução" para derrubar Putin do poder. A entrevista gerou um pedido de extradição da Rússia.
O presidente russo também vem sendo acusado de autoritário pelo enxadrista Gary Kasparov, de grande visibilidade internacional, preso há duas semanas durante um comício não-autorizado da oposição, em Moscou.
O pronunciamento anual ao Parlamento é a oportunidade do presidente russo de destacar os principais aspectos de suas políticas nos meses subseqüentes.
Espera-se que este tenha sido o último discurso anual de Putin ao Legislativo. O presidente deve deixar o cargo em março do ano que vem, quando termina seu segundo mandato.
A agenda foi atrasada em um dia por conta da morte do ex-presidente Boris Yeltsin, que morreu na segunda-feira.
Putin aproveitou a ocasião para homenagear Boris Yeltsin com um minuto de silêncio.