26 de abril, 2007 - 19h44 GMT (16h44 Brasília)
Caio Blinder
De Nova York
No discurso em que formalizou sua candidatura presidencial esta semana, o senador republicano John McCain tentou reavivar uma campanha que empacou antes do começo oficial, prometendo que irá restaurar a competência na Casa Branca - uma referência óbvia ao governo Bush.
Já o ainda favorito entre os republicanos, o ex-prefeito de Nova York e herói do 11 de setembro, Rudolf Giuliani, preferiu investir contra os democratas afirmando que o país ficará menos seguro com um deles na Presidência.
Os alvos e as táticas não importam. Os principais candidatos republicanos são políticos de calibre, mas não têm poder de fogo suficiente para brecar o avanço democrata no campo de batalha da eleição presidencial de 2008.
Existe um profundo descontentamento em relação ao governo Bush e à guerra do Iraque.
O legado Bush é pesado. McCain faz o que pode para convencer o país que saberá dar conta do recado no Iraque, mas sofre por suas convicções: ele acredita que a guerra pode ser vencida e apóia a escalada de tropas americanas.
Em contraste, uma pesquisa do jornal The Wall Street Journal e da rede de televisão NBC divulgada nesta quinta-feira mostra que apenas um em cada oito americanos acredita que houve progressos com a escalada de tropas.
Gafes
As gafes de McCain não ajudam. Ele disse que seu recente "passeio" em Bagdá prova que as coisas estão melhorando. O senador estava protegido por mais de 100 soldados e helicópteros.
E bom humor pode ser um passo em falso. Não pegou bem a resposta de McCain a uma questão sobre o Irã em um comício. Ele cantou uma paródia do clássico de rock Barbara Ann, dos Beach Boys, com o coro "bomb bomb bomb/ bomb bomb Iran".
As gafes de Giuliani são mais prosaicas, típicas de político em campanha eleitoral. Ele, por exemplo, errou de longe quando perguntado qual era o preço do litro de leite (galão, no caso americano). Giuliani deu a metade do valor.
Mais grave para ele, assim como para McCain e o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney (outro pretendente de peso) é a desconfiança da base conservadora em relação aos principais candidatos do partido.
Os três - que em escala diferente são considerados moderados em questões sociais, religiosas e morais - se desdobram com oportunismo para exibir rigidez de valores e conservadorismo.
Democratas
O vencedor destas primárias de oportunismo pode pagar cargo quando enfrentar o candidato democrata em novembro de 2008.
Entre os democratas, as disputas são marcadas por um clima exuberante, e líderes do partido estão exultantes com a dianteira sobre os republicanos na arrecadação de fundos.
Existe confiança que a vitória nas eleições para o Congresso em 2006 pavimentou o caminho para o triunfo presidencial em 2008. O sentimento entre os republicanos é diferente.
Um dos principais marqueteiros do partido, Frank Luntz, confessou ao jornal Financial Times que o clima é de derrotismo.
Existe também esta frustração em relação aos principais candidatos. Na pesquisa The Wall Street Journal/NBC, apenas 53% dos republicanos se disseram satisfeitos com as ofertas no mercado partidário, embora sejam produtos de boa qualidade.
Não é à toa que cresce o apoio dos republicanos ao ator e ex-senador Fred Thompson, que ainda não proclamou sua candidatura. É fruto mais de desalento com as ofertas do que com o potencial de Thompson, o promotor do seriado de televisão Lei e Ordem.
Nunca se sabe. Está aí o exemplo de Ronald Reagan, um ator de segunda que, para os republicanos, deu em um presidente de primeira.