22 de abril, 2007 - 00h46 GMT (21h46 Brasília)
Violência, mortes, roubo e atrasos prejudicaram as eleições presidenciais e para o novo Parlamento da Nigéria.
Pelo menos 11 pessoas morreram, sete policiais que escoltavam autoridades eleitorais que levavam cédulas no estado de Nassarawa e outras quatro pessoas no estado de Katsina.
Segundo o correspondente da BBC em Abuja, David Bamford, a tensão continua forte na noite de sábado em áreas do país onde o apoio à oposição é maior e mais forte ainda nas áreas onde as cédulas se esgotaram antes que todos pudessem votar.
O correspondente relata que a polícia abriu fogo contra a multidão em Katsina, o estado do candidato do partido do governo, Umaru Ya'Adua, e de um de seus principais adversários, Muhammadu Buhari. Entre os mortos neste incidente estava uma criança.
Roubo
Em Kano - que foi palco de confrontos entre islâmicos e o Exército no começo da semana - homens com armas e cutelos roubaram urnas.
David Bamford relata que homens disfarçados de policiais seqüestraram autoridades eleitorais no estado de Ondo. E sete policiais foram mortos em Nassarawa, quando escoltavam autoridades eleitorais.
No estado de Lagos poucos compareceram à votação e os que foram votar receberam a informação de que a eleição parlamentar tinha sido cancelada devido a erros na cédula.
Em alguns estados do sudeste da Nigéria quase não houve comparecimento devido aos atrasos.
Mas no final do dia, o presidente da comissão eleitoral Maurice Iwu, afirmou que as eleições foram um "sucesso".
"Tivemos algumas questões aqui e ali. E então, para estas pessoas, dissemos que elas precisam ter permissão para votar até o final do período permitido", disse.
Para Iwu, os problemas como atrasos, filas e falta de cédulas foram localizados.
"Na verdade, três estados estão envolvidos e acreditamos que, com o tempo, as pessoas vão perceber que mesmo que tenha ocorrido um grande problema naqueles lugares, não afetaria de maneira nenhuma o resultado da eleição", disse.
Iwu acrescentou que espera divulgar os primeiros resultados na segunda-feira.
'Avaliação negativa'
O chefe da missão européia de observadores das eleições, Max van den Berg, disse que sua avaliação do processo eleitoral é "abertamente negativa".
Falando na cidade de Kaduna, no norte do país, onde até o início da tarde a votação nem sequer havia começado, ele disse que não houve avanços suficientes entre este pleito e o estadual, realizado na semana passada e marcado por fraudes e abusos.
"Por enquanto, minha avaliação é abertamente negativa. Estou muito preocupado", disse Van den Berg. "Nenhum colégio eleitoral abriu, nenhuma cédula chegou aos locais de votação."
Em particular, o observador criticou o fato de nem todas as cédulas não serem numeradas: "Se um grupo de cédulas não vem dentro de um grupo de centenas, como é possível identificá-las? Não me parece bem".
O candidato de oposição, Muhammadu Buhari, por sua vez, afirmou que a votação deste sábado não poderia ser considerada como uma eleição, pois ocorreram muitos abusos.