19 de abril, 2007 - 22h24 GMT (19h24 Brasília)
Marcia Carmo
De Salta (Argentina)
Manifestantes bolivianos liberaram nesta quinta-feira 58 policiais e militares que eram mantidos como reféns em Yacuíba, localidade do município de Gran Chaco.
A cidade fica em Tarija, departamento da Bolívia que faz fronteira com a Argentina, onde municípios rivais estão disputando uma das maiores jazidas de gás natural da América Latina.
Segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI), eles ficaram vinte horas como reféns, à base de líquidos, já que os manifestantes impediam a entrada de alimentos no Conselho Municipal de Yacuíba, onde os reféns ficaram presos.
Um dos reféns, o coronel Jayme Reyes, que é comandante da Polícia de Fronteira, contou que eles foram obrigados a entregar as armas. Algumas pessoas foram agredidas pelos manifestantes mais exaltados, no caminho para o Conselho Municipal.
Investigação
"Depois que nos rodearam, fomos cercados por empurrões e agressões, mas sem maiores ferimentos ou complicações", disse.
Nesta quinta-feira, o Ministério da Justiça também pediu investigações sobre a morte do manifestante Derman Ruiz, de 37 anos, na localidade de Villamontes, também em Tarija, durante confrontos com soldados do Exército e a polícia, ocorridos na última terça-feira.
Ruiz morreu, ainda segundo a ABI, quando moradores do município de Gran Chaco tentaram ocupar as instalações da fábrica de gás Transredes, de onde o produto parte para o resto do departamento de Tarija e para a Argentina.
Nas últimas horas, além da morte do manifestante, pelo menos outros 40 manifestantes ficaram feridos.
Campo de gás
A confusão começou com a disputa entre os moradores dos municípios de Gran Chaco e O'Connor pela jurisdição da jazida de gás Margarita, que, segundo a imprensa boliviana, tem potencial para ser a maior da América Latina.
Eles brigam pelo domínio do campo de gás, que está na fronteira entre os dois municípios e gera recursos anuais de cerca de US$ 40 milhões para a cidade de O'Connor.
Desde terça-feira, surgiram três focos de confrontos diretos, em Villamontes, Yacuíba e Pocitos, na fronteira com a província argentina de Salta.
"Nós só vamos desistir destes protestos, incluindo o bloqueio das estradas, quando o governo reconhecer que este campo de gás é do Chaco e não de O'Connor", afirmou Javier Escalante, do Comitê Cívico de Pocitos.
Nesta quinta-feira, a Superintendência de Hidrocarbonetos da Bolívia informou que está "normal" o fornecimento de gás para Argentina e Brasil, e que nenhuma válvula foi fechada em Tarija – onde estima-se que está cerca de 80% do gás boliviano.
Soldados do Exército continuam fazendo a segurança em diferentes pontos da região.
O presidente boliviano, Evo Morales, formou uma comissão negociadora que tentará devolver a tranqüilidade entre os próprios bolivianos e reduzir a disputa que eles travam há vários dias pelos rendimentos da jazida de gás Margarita.
Em seguida, a comissão vai definir qual município – Gran Chaco ou O'Connor – ficará com o campo de gás.