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17 de abril, 2007 - 23h06 GMT (20h06 Brasília)

Andrea Wellbaum
Do Cairo

Vizinhos do Iraque 'impedem entrada de refugiados', diz ONG

No dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU) realiza uma conferência para ajudar os refugiados iraquianos, a Human Rights Watch acusou vários países próximos ao Iraque de impedir a entrada de pessoas que estão tentando fugir da violência no país.

"A conferência não deveria se concentrar apenas em dar assistência aos iraquianos que conseguiram escapar, mas deveria tentar garantir o direito de fugir para a segurança daqueles que ainda estão tentando sair do Iraque", disse o diretor de política para refugiados da Human Rights Watch, Bill Frelick.

Um relatório de autoria de Frelick denuncia a adoção de "medidas restritivas" adotadas pela Jordânia e pelo Egito para evitar a entrada de mais refugiados iraquianos nestes países.

Integrantes da Human Rights Watch que tentaram verificar a situação na Síria, que abriga o maior número de refugiados iraquianos (cerca de 1 milhão), tiveram seus pedidos de visto para entrar no país negados.

"A Jordânia e o Egito praticamente fecharam suas portas para refugiados iraquianos, enquanto a Síria está impedindo a entrada de palestinos que tentam fugir do Iraque", explicou Frelick.

Entrada proibida para xiitas

O governo jordaniano é acusado pelo grupo de defesa de direitos humanos de ter praticamente suspendido a entrada de iraquianos pela fronteira do país com o Iraque e de recusar muitos outros que tentam chegar por avião.

A ONU estima que a Jordânia abrigue cerca de 750 mil iraquianos, e o governo do país afirma que seus recursos estão sobrecarregados por causa do excesso de refugiados.

"Ainda mais preocupante é o fato de guardas na fronteira perguntarem a religião dos iraquianos e rejeitarem os que são ou aparentam ser xiitas", diz o relatório.

"Porém, também estão sendo recusados muitos sunitas e cristãos, incluindo mulheres e crianças, de acordo com depoimentos obtidos por parentes."

Entrevistas pessoais

O Egito, onde vivem cerca de 150 mil iraquianos, também teria adotado medidas restritivas, segundo a Human Rights Watch.

"Não existe nenhuma missão diplomática egípcia em Bagdá e as autoridades egípcias exigem entrevistas cara-a-cara com pelo menos um integrante da família nos consulados de Damasco e Amã", diz o relatório.

A Human Rights Watch diz reconhecer que os países "que carregam o fardo" de abrigar os refugiados iraquianos não são os responsáveis por esta crise e culpa os Estados Unidos e a Grã-Bretanha pela situação.

"Eles se envolveram em uma guerra que causou diretamente milhares de mortes, espalhou medo e sofrimento e forçou o desalojamento. Isto gerou um conflito sectário que causou mais violência, perseguição e desalojamento em uma escala gigantesca", afirmou Frelick.

Este ano, o governo americano aceitou abrigar até 7 mil refugiados, mas, segundo a Human Rights Watch, "o número ainda não é adequado à divisão da carga e colabora pouco para resolver o problema maior".

A organização também lembrou que a Grã-Bretanha ainda não se comprometeu a aceitar iraquianos em seu território.