17 de abril, 2007 - 19h52 GMT (16h52 Brasília)
A cobertura do fim do relacionamento de Kate Middleton com o príncipe William reacendeu o debate sobre classes sociais na Grã-Bretanha.
Os jornais britânicos publicaram uma série de artigos em que comentam as diferenças sociais entre os dois e questionam até que ponto isso teria interferido no romance.
Muitos dizem que os pais da namorada do príncipe eram "classe média demais". Segundo relatos, o casal pareceu desajeitado quando encontrou a rainha, especialmente a mãe de Kate, Carole Middleton.
Há rumores de que os amigos do príncipe faziam piadas e diziam "portas da cabine para automático" toda vez que o nome de Kate era mencionado. A brincadeira seria uma referência ao fato de que a mãe dela trabalhou como aeromoça.
Um especialista em assuntos reais britânicos, James Whitaker, disse ao tablóide Daily Express que o país é obcecado com a questão de classe. "O problema era a mãe", disse. "Não acho que era Kate".
Whitaker e outros especialistas citaram o hábito de Carole Middleton de usar a palavra toilet, e não lavatory, para se referir ao banheiro.
Na Inglaterra, a classe trabalhadora tende a usar a palavra toilet.
Gafes
Colunistas sociais também notaram que a mãe de Kate não se dirigiu à rainha usando a palavra ma'am (madame), e cometeu o grave erro de mascar chiclete quando foi assistir ao príncipe durante uma parada do colégio militar Sandhurst.
Carole Middleton descende de trabalhadores de minas e a grande maioria de seus ancestrais pertencia à classe trabalhadora. Nos anos 1930, um deles se tornou um carpinteiro e abriu um negócio. Seu pai também era carpinteiro.
O jornal britânico Times, no entanto, chama a atenção para o fato de que poucos mencionaram as "sólidas qualidades burguesas" da família, que fez sua fortuna com esforço próprio, fundando uma bem-sucedida empresa de vendas pelo correio. A família também aparenta ser coesa e estável, diz o jornal.
Admitir a burguesia na família real, no entanto, pode trazer riscos, diz o Times.
Sarah Ferguson e seu desastroso casamento com o príncipe Andrew, irmão de Charles e tio de William, é um bom exemplo, diz o jornal, que, no entanto, cita também finais felizes.
Depois de muitas idas e vindas, Camilla Parker-Bowles, filha de um herói de guerra, vive um casamento estável com o príncipe Charles, herdeiro do trono.
E a história da família real britânica está cheia de precedentes desse tipo.
Em entrevista à BBC, o historiador Lawrence James, autor do livro The Middle Class: A History, citou vários exemplos.
"O rei Eduardo 4º se casou com a viúva de um soldado da cavalaria", disse James.
"Henrique 8º se casou com Ana Bolena, cujo avô vendia lã, e cujo pai era da cavalaria. Eles rapidamente fizeram dele um conde, mas a origem dessa gente, sua linhagem, muitas vezes não era exatamente sangue azul."
Pirâmide social
James avalia que a classe média britânica gosta de histórias de sucesso, mas disse que existe uma minoria que sente muita inveja quando alguém tenta subir muito na pirâmide social.
O historiador diz acreditar que falta senso de humor e de proporção no debate sobre classes sociais no país.
"Os que vêem a família real como algo sagrado deveriam lembrar que o rei Guilherme 4º falava errado", diz James.
E conta uma história divertida ocorrida durante o reinado de Elizabeth 1ª:
"Quando o Conde de Oxford se apresentou à corte, foi fazer uma saudação à rainha e soltou gases".
"Envergonhado, fugiu da corte e só voltou vários anos depois, esperando ser aceito. E foi."
Segundo o historiador, a rainha olhou para o conde e disse: "Meu lorde de Oxford, nós esquecemos os gases".